A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Showdown, cumprindo 31 ordens judiciais contra um núcleo familiar envolvido com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e jogos de azar. As informações foram confirmadas pelo órgão em nota oficial.
Entre os alvos estão a líder da facção criminosa na cidade de Alta Floresta, seu pai, sua filha e o genro. Conforme apurado, a mulher é considerada de alta periculosidade e está foragida desde agosto de 2025, quando fugiu do Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e executadas em Alta Floresta e Nova Bandeirantes, com apoio das delegacias locais e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Contexto da investigação
O inquérito policial, conduzido pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pelas Delegacias de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e de Alta Floresta, apontou que o núcleo familiar movimentou, em um período de 19 meses, mais de R$ 20 milhões em valores incompatíveis com a renda declarada. Segundo a polícia, empresas de fachada nos setores de calçados, roupas e beleza, além de plataformas de jogos de azar online, eram usadas para lavar o dinheiro do tráfico.
Outro esquema investigado envolve exploração de garimpo irregular em Alta Floresta. O pai da líder da facção seria responsável pela administração do garimpo e de um bar e prostíbulo em Nova Bandeirantes, locais utilizados para extorsões e tráfico de drogas. O ouro extraído poderia ser reinserido no mercado formal, dificultando a rastreabilidade financeira.
Ostentação e impacto social
De acordo com a polícia, a filha e o genro da líder da facção ostentavam uma vida luxuosa, adquirindo imóveis e veículos de alto padrão e realizando viagens internacionais. A filha possui um perfil com mais de 40 mil seguidores no Instagram, onde compartilhava detalhes da rotina e das aquisições.
Origem do nome da operação
O nome Showdown faz referência a uma jogada de pôquer em que os jogadores revelam suas cartas, em alusão à utilização de jogos de azar pela facção como instrumento de lavagem de dinheiro. A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, dentro do Programa Tolerância Zero e da Operação Pharus, voltados ao combate de facções criminosas.
As autoridades reforçam que a investigação é contínua e que outras prisões podem ocorrer conforme novas evidências sejam apuradas.
Reportagem baseada em nota oficial da Polícia Civil de Mato Grosso e documentos judiciais da 5ª Vara Criminal de Sinop.
Contexto adicional:
- O Sistema Prisional de MT possui histórico de fugas de alta periculosidade; a líder da facção estava foragida desde 2025.
- O Programa Tolerância Zero tem foco no combate a organizações criminosas, com ações coordenadas em todo o estado.
- Empresas de fachada e garimpos ilegais são métodos frequentes de lavagem de dinheiro em Mato Grosso, segundo relatório do Ministério Público do Estado.
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