Garimpo ilegal despenca 97% em terra indígena de Mato Grosso após maior ofensiva federal dos últimos anos

Mais de R$ 111 milhões em equipamentos foram destruídos ou apreendidos durante a ofensiva que praticamente interrompeu a abertura de novas áreas de garimpo na Terra Indígena Sararé.

Durante anos, a Terra Indígena Sararé, localizada no oeste de Mato Grosso, tornou-se um dos principais símbolos da devastação provocada pelo garimpo ilegal na Amazônia brasileira. Máquinas pesadas, explosivos, motores e centenas de acampamentos transformaram parte da floresta em um cenário de intensa degradação ambiental.

Esse panorama, no entanto, começou a mudar de forma significativa após uma ampla força-tarefa coordenada pelo Governo Federal. Em pouco mais de 90 dias de atuação, a abertura de novas áreas destinadas ao garimpo caiu 97%, segundo dados oficiais divulgados nesta semana.

O resultado representa uma das maiores reduções já registradas na atividade ilegal dentro do território indígena. Antes da operação, os sistemas de monitoramento identificaram 226 alertas de novos pontos de garimpo em apenas três meses. Após o início da ofensiva, esse número caiu para apenas seis ocorrências.

Além da redução no número de focos, a área efetivamente desmatada também apresentou queda expressiva. Os alertas passaram de aproximadamente 1 quilômetro quadrado para apenas 0,05 quilômetro quadrado, indicando forte diminuição da pressão sobre a floresta.

A Terra Indígena Sararé abriga cerca de 201 indígenas do povo Nambikwara distribuídos em sete aldeias e ocupa aproximadamente 67 mil hectares. Nos últimos anos, a região passou a figurar entre as áreas indígenas mais afetadas pelo avanço do garimpo ilegal na Amazônia, acumulando cerca de 4.200 hectares degradados pela exploração clandestina de ouro.

Operação desmontou estrutura milionária do garimpo ilegal

Diferentemente de ações pontuais realizadas em anos anteriores, a operação concentrou esforços na destruição da infraestrutura que permitia a permanência dos garimpeiros dentro da reserva.

Ao longo da ofensiva, agentes federais inutilizaram equipamentos considerados essenciais para a continuidade da atividade criminosa, causando prejuízo estimado em mais de R$ 111,5 milhões às organizações envolvidas.

Entre os materiais apreendidos ou destruídos estão quase quatro toneladas de explosivos, centenas de motores utilizados na extração do ouro, escavadeiras hidráulicas, motocicletas e dezenas de estruturas montadas dentro da floresta.

Ao todo, aproximadamente 200 acampamentos clandestinos foram desmobilizados durante a operação.

Segundo o coordenador-geral da força-tarefa, Nilton Tubino, da Casa Civil, o objetivo foi retirar completamente a estrutura utilizada pelos criminosos para impedir o retorno imediato das atividades ilegais.

O que mudou após a chegada da força-tarefa?

A estratégia adotada pelo Governo Federal foi além das operações tradicionais de fiscalização. Em vez de apenas retirar invasores, a força-tarefa concentrou esforços em desmontar toda a cadeia logística que sustentava o garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Sararé.

Ao inutilizar equipamentos, destruir acampamentos e bloquear a infraestrutura utilizada pelos criminosos, os órgãos envolvidos reduziram significativamente a capacidade de retomada imediata das atividades clandestinas.

Segundo o coordenador-geral da operação, Nilton Tubino, da Casa Civil, os agentes percorreram todas as áreas mapeadas previamente pelos sistemas de inteligência e monitoramento ambiental.

O objetivo foi eliminar os pontos utilizados para exploração ilegal de ouro e impedir novos danos à floresta, considerada uma das regiões mais pressionadas pelo garimpo nos últimos anos.

“A desintrusão compõe o esforço federal de combate ao desmatamento na Amazônia. Os reflexos dessa força-tarefa estão diretamente ligados à preservação da floresta”, destacou Tubino.

Prejuízo milionário atingiu diretamente a estrutura financeira dos garimpeiros

Os números da operação ajudam a dimensionar o tamanho da estrutura criminosa instalada na região.

Em pouco mais de três meses, o prejuízo causado às organizações envolvidas ultrapassou R$ 111,5 milhões, valor estimado a partir dos equipamentos destruídos, veículos inutilizados e materiais apreendidos.

Entre os principais resultados da operação estão:

  • 200 acampamentos destruídos;
  • 829 motores inutilizados;
  • 31 escavadeiras hidráulicas destruídas;
  • 105 motocicletas apreendidas ou inutilizadas;
  • quase 4 toneladas de explosivos apreendidos;
  • 72 pessoas presas;
  • 160 conduzidos à Polícia Federal.

Além do impacto financeiro, a retirada dessa estrutura dificulta a reorganização imediata das atividades ilegais, obrigando grupos criminosos a reconstruírem praticamente toda a logística necessária para retornar ao território.

Por que a Terra Indígena Sararé se tornou alvo do garimpo?

Localizada na região de oeste de Mato Grosso, nas proximidades de Pontes e Lacerda, a Terra Indígena Sararé tornou-se um dos principais focos da corrida ilegal pelo ouro nos últimos anos.

O avanço da atividade clandestina provocou a abertura de grandes clareiras, destruição da vegetação nativa e contaminação ambiental, colocando em risco não apenas os recursos naturais, mas também a sobrevivência das comunidades indígenas Nambikwara que vivem na região.

Dados oficiais apontam que cerca de 4.200 hectares do território já haviam sido degradados pela mineração ilegal, transformando Sararé em uma das terras indígenas mais desmatadas da Amazônia Legal.

Além da retirada ilegal de ouro, as autoridades identificaram crimes ambientais, ocupação irregular, utilização de maquinário pesado e circulação constante de organizações criminosas responsáveis por financiar a atividade clandestina.

Operação reuniu dezenas de órgãos federais e estaduais

A dimensão da ofensiva exigiu atuação conjunta de diversos órgãos públicos.

Participaram da operação equipes da Casa Civil, Ministério dos Povos Indígenas, Ibama, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Exército Brasileiro, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), além de agências reguladoras e instituições de fiscalização.

Segundo os responsáveis pela operação, a integração entre inteligência, monitoramento por satélite e ações em campo foi determinante para reduzir rapidamente a presença dos garimpeiros ilegais.

Ao contrário de operações isoladas, a estratégia buscou atuar simultaneamente sobre logística, transporte, abastecimento, financiamento e ocupação das áreas invadidas.

Nova fase busca impedir o retorno da atividade ilegal

Com a conclusão da etapa ostensiva, o trabalho entra agora em uma nova fase.

O Comitê Interministerial de Desintrusão informou que as ações passarão a priorizar o monitoramento permanente da região para evitar novas invasões e impedir que a estrutura criminosa volte a se instalar na Terra Indígena Sararé.

O planejamento prevê atuação baseada em cinco eixos estratégicos: prevenção, monitoramento contínuo, resposta rápida a novas ocorrências, segurança das equipes envolvidas e fortalecimento da governança sobre o território.

A expectativa é que a presença permanente dos órgãos públicos reduza ainda mais as tentativas de retomada do garimpo ilegal nos próximos meses.

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