Neste domingo (5), Brasil e Noruega medem forças pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Enquanto a disputa promete prender a atenção dos torcedores dentro de campo, uma relação bastante diferente une os dois países longe dos gramados: o agronegócio de Mato Grosso.
O estado, líder nacional na produção de soja, milho e carne bovina, mantém uma parceria comercial consolidada com o país europeu. A Noruega compra alimentos produzidos em Mato Grosso e, em contrapartida, fornece fertilizantes utilizados nas lavouras mato-grossenses, formando uma cadeia produtiva que beneficia ambos os lados.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), reunidos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que essa relação movimentou US$ 49,25 milhões em 2025, consolidando a Noruega como um importante parceiro comercial do Estado.
Soja representa quase toda a pauta de exportação
A soja segue como protagonista das exportações mato-grossenses para o mercado norueguês.
No último ano, Mato Grosso embarcou aproximadamente 105,8 mil toneladas do grão para a Noruega, operação que gerou receita de cerca de US$ 44,6 milhões.
A carne bovina também participou dessa relação comercial. Embora em menor volume, o Estado exportou 42 toneladas do produto, movimentando aproximadamente US$ 670 mil.
Esses números reforçam a importância da produção agropecuária mato-grossense para mercados internacionais que valorizam alimentos produzidos em larga escala e com elevados padrões de qualidade.
Fertilizantes fazem o caminho inverso
Se Mato Grosso envia alimentos para a Noruega, o caminho de volta também é estratégico para o agronegócio estadual.
O Estado importou cerca de 10,4 mil toneladas de fertilizantes produzidos pelo país europeu, em operações avaliadas em aproximadamente US$ 4 milhões.
Esses insumos desempenham papel essencial na produtividade das lavouras de soja, milho, algodão e outras culturas que colocam Mato Grosso entre os maiores produtores agrícolas do planeta.
Parceria fortalece o agro mato-grossense
Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o comércio internacional vai muito além da simples venda de commodities.
Na avaliação do economista, Mato Grosso integra uma cadeia global em que exporta alimentos e, ao mesmo tempo, importa produtos indispensáveis para manter elevados níveis de produtividade no campo.
“O comércio internacional do agro não se resume à exportação de commodities. Ele também envolve a aquisição de produtos fundamentais para garantir competitividade dentro da porteira. No caso da Noruega, Mato Grosso vende soja e importa fertilizantes, formando uma relação complementar dentro da mesma cadeia produtiva”, afirma.
Mercado exigente impulsiona sustentabilidade
A Noruega é reconhecida internacionalmente pelos elevados padrões de sustentabilidade, rastreabilidade e controle da origem dos produtos agropecuários que importa.
Para Mato Grosso, atender a essas exigências representa uma oportunidade de ampliar mercados, agregar valor à produção e fortalecer sua posição entre os maiores exportadores mundiais de alimentos.
Segundo o Imea, fatores como tecnologia, eficiência produtiva, responsabilidade ambiental e rastreabilidade tendem a ganhar cada vez mais peso nas negociações internacionais.
“Hoje, não basta produzir mais. É preciso demonstrar como se produz. A sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a ser também um fator de competitividade”, destaca Cleiton Gauer.
Enquanto a bola rola, o comércio continua
Independentemente do resultado entre Brasil e Noruega na Copa do Mundo, a parceria comercial construída entre Mato Grosso e o país europeu continuará desempenhando papel importante para ambos os lados.
Enquanto os torcedores acompanham a disputa dentro de campo, produtores rurais, exportadores e importadores seguem conectados por uma relação que movimenta milhões de dólares todos os anos e evidencia o protagonismo do agronegócio mato-grossense no cenário internacional.
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