Tudo começou quando 19 produtores decidiram confiar uns nos outros.
Foi em 2019. Naquele ano, meu pai, Antônio Lunardi, tornou-se o primeiro grande incentivador deste projeto. Visionário, repetia com convicção que, se nos uníssemos, seríamos mais fortes e poderíamos transformar a realidade das nossas propriedades.
Depois de muitas conversas e da persistência em reunir pessoas que compartilhavam dos mesmos valores, demos o primeiro passo. Todos nós já éramos vizinhos ou conhecidos de longa data. O primeiro encontro aconteceu no Sindicato Rural de Sinop.
Naquele momento, não havia uma sede, uma grande estrutura ou uma indústria. Havia algo muito mais importante: confiança e credibilidade. Esses foram os pilares que permitiram à Coanorte chegar onde chegou.
Os 19 sócios fundadores conheciam bem uns aos outros. Mais do que produtores rurais, eram pessoas reconhecidas pela seriedade, pela pontualidade e pela honestidade. Esses valores se tornaram o primeiro patrimônio da cooperativa e a base sobre a qual construímos tudo o que viria depois.
A verdade é que não sabíamos exatamente como fazer aquilo acontecer. Cada um contribuiu da maneira que podia e, juntos, assumimos esse compromisso. Foi preciso tempo para estruturar as negociações e, principalmente, conquistar a confiança do mercado naquilo que estávamos construindo.
Sabíamos que nenhum produtor, individualmente, alcançaria o nível de negociação que poderíamos conquistar juntos. Um produtor de 200 hectares passou a ter o mesmo poder de negociação de quem produz 10 mil hectares. Sem a cooperativa, os pequenos dificilmente teriam acesso às oportunidades reservadas aos grandes.
Esse é o verdadeiro poder do cooperativismo: um modelo que fortalece as pessoas e transforma todos em grandes produtores. Com o crescimento da cooperativa, passamos a atender o cooperado em praticamente todas as etapas do seu negócio, participando de grandes importações, exportações e compras coletivas de grande escala. Ganhamos competitividade, ampliamos nosso poder de negociação e geramos desenvolvimento. O cooperativismo é um modelo único, democrático e social, em que todos crescem juntos. Esse é o seu maior diferencial.
A maioria das pessoas quer ver para acreditar. Nós acreditamos antes de ver.
Hoje existe uma sede moderna. Existe uma biorrefinaria em operação. Existe uma cooperativa consolidada. Mas, seis anos atrás, nada disso existia. Existia apenas uma convicção: juntos seria possível chegar onde nenhum produtor conseguiria sozinho.
Depois de todos esses anos, meu único arrependimento é não termos começado antes. Meu conselho para quem ainda não faz parte de uma cooperativa é simples: busque se organizar. Individualmente, o produtor enfrenta desvantagens em um mercado cada vez mais competitivo.
Cooperar é unir pessoas em torno dos mesmos objetivos. É multiplicar forças, compartilhar responsabilidades e construir oportunidades. É assim que nos tornamos mais fortes diante dos desafios, dos mercados e das transformações econômicas. Essa é, para mim, a maior força do cooperativismo.
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