Sistema Famato defende mais transparência na classificação de grãos em reunião no IPEM

Encontro reuniu instituições e setor produtivo para avançar em soluções que garantam segurança e padronização na comercialização da soja

O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) participou, nesta segunda-feira (24), de uma reunião com o tema “Diálogo com o Setor Produtivo”, no Instituto de Pesos e Medidas de Mato Grosso (IPEM), com a presença de representantes de instituições públicas e privadas, para discutir avanços na padronização e transparência na classificação de grãos, especialmente da soja.

A agenda, considerada prioritária pelo setor produtivo, trata de uma demanda recorrente dos produtores rurais que é a divergência na avaliação da qualidade dos grãos no momento da comercialização. Atualmente, a classificação segue normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mas ainda enfrenta desafios relacionados à falta de uniformidade e transparência nos processos realizados nos pontos de entrega, como armazéns e tradings.

Durante o encontro, o superintendente da Famato, Cleiton Gauer, reforçou a necessidade de evolução nos mecanismos de aferição da qualidade dos grãos, defendendo a adoção de tecnologias que reduzam a subjetividade nas análises. A proposta em discussão envolve o uso de equipamentos automatizados para classificação da soja, substituindo avaliações baseadas exclusivamente na observação humana.

“A grande importância é o diálogo. É a oportunidade de expor as demandas, as dores e as dificuldades que, muitas vezes, passam despercebidas no setor produtivo. A comercialização começa ainda na descarga, na classificação e na aferição da qualidade dos grãos, e isso pode gerar prejuízos que o produtor nem sempre percebe. Esse espaço permite construir uma agenda positiva e sair com um plano de ação para solucionar essas prioridades”.

A pauta vem sendo acompanhada pelo Sistema Famato há anos e ganha ainda mais relevância a cada safra, diante das inconsistências relatadas por produtores sobre a diferença entre a qualidade do produto entregue e aquela considerada pelos compradores.

Como alternativa, o setor tem trabalhado no desenvolvimento de sistemas de classificação automatizada, que utilizam equipamentos para analisar os grãos com maior precisão e padronização. A iniciativa busca reduzir conflitos comerciais e trazer mais segurança jurídica às negociações.

De acordo com o assessor técnico da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Thiago Pereira, já há avanços importantes na construção desses protocolos.

“O Inmetro, junto com o Ministério da Agricultura, está desenvolvendo protocolos para validar esses equipamentos. A CNA, o Sistema Famato e outras instituições têm contribuído com informações vindas dos produtores. A perspectiva é positiva e a expectativa é que ainda neste ano haja avanços na validação desse processo”.

A expectativa é que, nos próximos meses, os protocolos em desenvolvimento avancem e resultem em soluções práticas para o campo, por meio de grupos de trabalho.

Participaram da reunião representantes do Inmetro, IPEM, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço. (com Assessoria/Rosangela Milles)

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