O número de brasileiros com contas em atraso voltou a subir e atingiu um novo patamar histórico em maio de 2026. De acordo com levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, 75,06 milhões de consumidores estavam com restrições no crédito no período, o equivalente a 44,8% da população adulta do país.
Na comparação com abril, o total de inadimplentes teve aumento de 0,44%, mantendo a trajetória de alta observada nos últimos meses. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento também permanece significativo, refletindo a dificuldade de milhões de famílias para equilibrar receitas e despesas.
Segundo a análise das entidades, mesmo com programas de renegociação de débitos, como o Desenrola, muitos consumidores conseguiram regularizar apenas parte das pendências financeiras. O cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados, pressão inflacionária e encarecimento do custo de vida, continua comprometendo a capacidade de pagamento da população.
A faixa etária com maior concentração de inadimplentes está entre 30 e 39 anos. Nesse grupo, 18,23 milhões de pessoas possuem restrições de crédito, representando mais da metade da população dessa idade. O levantamento também mostra equilíbrio entre homens e mulheres, embora o público feminino apareça levemente à frente, com 51,34% dos registros de inadimplência, contra 48,66% entre os homens.
Regionalmente, o Sul registrou a maior alta anual no número de negativados, com avanço de 9,86%. Na sequência aparecem Norte (9,52%), Sudeste (7,94%), Centro-Oeste (7,08%) e Nordeste (6,04%).
O valor médio das dívidas por consumidor chegou a R$ 5.145,04 em maio. Em média, cada inadimplente possui pendências com 2,34 empresas credoras. Os números ainda revelam que 29,19% dos devedores acumulam débitos de até R$ 500, enquanto 41,52% devem até R$ 1 mil.
Outro dado que chama atenção é o crescimento no volume de dívidas em atraso. Em maio de 2026, a quantidade total de débitos vencidos aumentou 15,64% em relação ao mesmo mês de 2025. Na passagem mensal, de abril para maio, a alta foi de 0,41%.
Entre os setores credores, as contas de água e energia lideraram a maior expansão, com crescimento de 24,93% no número de dívidas. Em seguida aparecem os setores de comunicação, com 16,22%, e bancário, com 14,63%. Em contrapartida, o comércio apresentou leve retração de 0,22%.
Apesar disso, os bancos continuam concentrando a maior fatia das dívidas em atraso, respondendo por 66,19% do total nacional. Na sequência estão água e energia (10,68%), outras categorias (9,25%) e comércio (8,24%).
No recorte regional, o Norte segue com a maior proporção de inadimplentes do país: 48,48% da população adulta possui alguma restrição no nome. Já o Sul apresenta o menor percentual, com 40,78%.
Especialistas alertam que o cenário exige cautela, especialmente em períodos de maior apelo ao consumo. Datas comemorativas, promoções sazonais e eventos que estimulam gastos podem ampliar ainda mais o endividamento das famílias, sobretudo em um ambiente de renda pressionada e crédito caro.
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