Um ato em memória de Tainara Souza Santos, de 31 anos, será realizado no próximo domingo (1º) na Marginal Tietê, na Zona Norte de São Paulo, local onde a jovem foi vítima de um crime de extrema violência. A mobilização marca o início das atividades do mês dedicado ao Dia Internacional das Mulheres e será organizada pelo Ministério das Mulheres.
Tainara morreu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro por mais de um quilômetro, em 29 de novembro do ano passado. A violência provocou a mutilação de suas pernas, e a vítima faleceu na véspera do Natal. O agressor está preso e responde por feminicídio.
Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a manifestação busca homenagear Tainara e também reforçar a mobilização nacional contra a violência de gênero. A programação prevê intervenções artísticas com grafite em prédios da região, a instalação de um mastro com mensagens de conscientização e um trio elétrico que acompanhará o trajeto, com a presença de familiares e movimentos sociais.
A iniciativa integra um esforço mais amplo de sensibilização da sociedade e de fortalecimento das políticas públicas. A ministra destacou a necessidade de atuação conjunta entre União, estados, municípios, sistema de Justiça e sociedade para enfrentar um problema que ainda representa um grande desafio no país.
Pacto nacional
Até o momento, 19 estados já aderiram ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. O objetivo é integrar e padronizar ações de prevenção e atendimento às vítimas, criando uma rede estruturada e acessível. O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão de discriminação ou menosprezo à condição feminina.
Dados recentes apontam que o Brasil registrou 1.518 vítimas desse tipo de crime em 2025, o maior número já contabilizado, com média de quatro mortes por dia.
Educação e prevenção
Entre as medidas previstas para este ano está a regulamentação do projeto Maria da Penha vai à Escola, que será conduzido pelo Ministério da Educação. A proposta é promover a educação para igualdade de gênero e conscientizar estudantes e profissionais sobre a prevenção da violência doméstica e familiar.
Esporte e combate ao machismo
Durante entrevista, a ministra também criticou manifestações consideradas machistas contra uma árbitra de futebol em competição estadual. Ela afirmou que atitudes desse tipo representam violência de gênero e reforçou que as mulheres têm plena capacidade de atuar em qualquer função.
O Ministério das Mulheres também articula parcerias com entidades esportivas para que a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, se torne um marco de mobilização por respeito e igualdade no esporte.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.