O festival Sonora Brasil conclui sua 27ª edição em Paraty (RJ), com shows gratuitos até domingo (30), após percorrer o país com uma programação que destacou a diversidade musical brasileira. Na última quarta-feira (26), a percussionista Mãe Beth de Oxum dividiu o palco com a cantora lírica Surama Ramos e o maestro e multi-instrumentista Henrique Albino em uma apresentação marcada pela celebração da ancestralidade negra.
Organizado pelo Sesc, o projeto levou ao público combinações inéditas de artistas de diferentes tendências e regiões, resultado de uma curadoria que estimulou a mistura de estilos, instrumentos e repertórios. No biênio 2024-2025, dez formações circularam pelo Brasil, passando pelas cinco regiões e apresentando espetáculos criados especialmente para a iniciativa.
O encontro entre Surama, Henrique e Mãe Beth deu origem ao espetáculo Apejó, palavra em iorubá que significa “encontro”. A apresentação uniu a técnica do canto lírico, arranjos contemporâneos e os tambores ancestrais da família de Mãe Beth, criando uma sonoridade singular que surpreendeu artistas e público.
A percussionista levou ao palco o coco de umbigada ao lado da filha Alice Ialodê e do marido Mestre Quinho, integrando o ritmo tradicional às composições da dupla Surama e Henrique. Para ela, projetos como o Sonora Brasil são essenciais para fortalecer tradições afro-brasileiras e ampliar o acesso à cultura popular.
Surama destacou que a parceria também representou um reencontro com a própria ancestralidade, explorando referências que não fizeram parte de sua formação religiosa ou familiar.
Tempos e territórios
Segundo Renata Pimenta, analista de música do Sesc e uma das responsáveis pela curadoria, a edição “Encontros, tempos e territórios” buscou aproximar gerações e promover diálogos entre artistas do mesmo estado, ressaltando como trajetórias distintas podem surgir de uma mesma região.
Durante o encerramento em Paraty, também foi lançada a série documental Sonora Brasil – Encontros, Tempos e Territórios, produzida pelo SescTV, que apresenta histórias, processos criativos e reflexões dos artistas participantes.
Foram mais de 300 apresentações em cerca de 70 cidades. A logística na região Norte foi um dos principais desafios, mas a equipe reforça que levar música a áreas pouco alcançadas por circuitos comerciais é uma das missões do festival.
Para Henrique Albino, viajar pelo Brasil com o projeto revelou a riqueza cultural do país e fortaleceu a relação com o público. Ele contou ainda que novos trabalhos com Mãe Beth já estão em andamento, incluindo participações em seu próximo disco e a gravação do repertório do espetáculo Apejó.
Os shows finais acontecem no Sesc Caborê até domingo (30), com sessões de exibição da série documental e apresentações musicais.
Programação:
Sexta-feira (28/11)
18h – Exibição de episódio sobre Mestre Negoativo & Douglas Din (MG)
19h – Apresentação musical Mestre Negoativo (MG)
Sábado (29/11)
10h – Roda de conversa com Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro e Mundiá Carimbó
18h – Exibição de episódio sobre Geraldo Espíndola & Marcelo Loureiro (MS)
19h – Apresentação musical Geraldo Espíndola & Marcelo Loureiro (MS)
Domingo (30/11)
16h – Exibição de episódio sobre Manoel Cordeiro & Felipe Cordeiro (PA)
17h – Apresentação musical Manoel Cordeiro & Felipe Cordeiro (PA)
18h30 – Apresentação musical Mundiá com participação de Manoel Cordeiro (PA)























