A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na terça-feira (17), três pessoas suspeitas de integrar uma associação criminosa especializada no golpe da cesta básica, conforme divulgado oficialmente pelas Delegacias Especializadas de Estelionato de Várzea Grande e Cuiabá. O grupo, oriundo do Rio de Janeiro, é investigado por aplicar fraudes bancárias contra idosos na região metropolitana, utilizando engenharia social para obter dados pessoais e acesso a contas financeiras.
Como funcionava o golpe da cesta básica
De acordo com a investigação, o golpe da cesta básica consistia em abordar vítimas, principalmente idosos, por telefone ou presencialmente, com a falsa promessa de um benefício social. Os suspeitos se passavam por funcionários do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), alegando que a vítima havia sido contemplada com uma cesta básica do Governo Federal.
“Eles diziam que a pessoa havia sido selecionada para receber o benefício e precisavam apenas concluir um cadastro”, explicou o delegado Marlon Richer Nogueira, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, em nota oficial.
Durante a visita às residências, os criminosos coletavam fotos do rosto (biometria facial) e dos documentos pessoais das vítimas. Em seguida, alegavam problemas técnicos para não entregar o suposto benefício e deixavam o local. Com os dados em mãos, realizavam empréstimos, financiamentos e transferências via Pix em nome das vítimas.
Prisão e material apreendido
A prisão ocorreu em flagrante na Avenida Alameda, em Várzea Grande, após monitoramento realizado pelo sistema Vigia Mais MT. Conforme apurado pela reportagem, os investigadores identificaram o veículo utilizado pelo grupo e efetuaram a abordagem.
Com os suspeitos, foram encontrados:
- Aparelhos celulares e chips de telefonia;
- Documentos possivelmente utilizados nas fraudes;
- Cestas básicas usadas como isca no golpe da cesta básica.
Os próprios investigados confessaram ter alugado duas residências — uma no bairro Alvorada, em Cuiabá, e outra no Residencial São Mateus, em Várzea Grande — que funcionavam como base operacional para os crimes.
Enquadramento legal e próximos passos
Os três suspeitos — dois homens, de 24 e 36 anos, e uma mulher de 24 — tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça. Eles devem responder pelos crimes de:
- Estelionato (art. 171 do Código Penal);
- Invasão de dispositivo informático (art. 154-A);
- Associação criminosa (art. 288).
Especialistas em segurança pública alertam que golpes como o golpe da cesta básica têm se tornado mais frequentes, especialmente contra públicos vulneráveis. A orientação das autoridades é nunca fornecer dados pessoais ou permitir registros biométricos sem confirmação oficial do benefício junto a órgãos públicos.
A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar outras possíveis vítimas e integrantes da organização criminosa.
Se você ou alguém da sua família foi vítima, procure a delegacia mais próxima e registre ocorrência.
Reportagem baseada em informações oficiais da Polícia Civil de Mato Grosso.
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