Lucro do FGTS pode injetar milhões na economia de Mato Grosso; veja quem tem direito ao dinheiro

Conselho Curador define neste mês o percentual que será distribuído aos trabalhadores. Depósito será feito automaticamente nas contas do FGTS até agosto.

Milhares de trabalhadores de Mato Grosso aguardam uma decisão que pode representar um reforço importante no patrimônio acumulado no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O Conselho Curador do FGTS se reúne no próximo dia 28 de julho para definir qual parcela do lucro obtido pelo fundo em 2025 será distribuída aos brasileiros que possuíam saldo nas contas vinculadas em 31 de dezembro do ano passado.

A expectativa do governo federal é de que o resultado do FGTS ultrapasse R$ 13,5 bilhões, mantendo o fundo entre os maiores instrumentos públicos de investimento do país. Caso seja aprovado um percentual semelhante ao distribuído no ano anterior, milhões de trabalhadores receberão automaticamente um crédito extra em suas contas até o fim de agosto.

Embora o valor não possa ser sacado imediatamente, a distribuição aumenta o patrimônio do trabalhador e reforça o rendimento do fundo, que desde decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ter maior responsabilidade em acompanhar, pelo menos, a inflação oficial do país.

Para Mato Grosso, onde milhares de profissionais atuam com carteira assinada nos setores do agronegócio, indústria, construção civil, comércio e serviços, a distribuição representa uma movimentação financeira relevante e chega em um momento em que muitas famílias buscam reorganizar o orçamento.

O tema também ganha importância diante do cenário econômico estadual. Apesar do forte crescimento do PIB e da geração de empregos, o CenárioMT mostrou recentemente que a inadimplência continua elevada em Mato Grosso, reforçando a necessidade de planejamento financeiro por parte das famílias. Mais informações sobre economia estadual podem ser acompanhadas na editoria de Economia.

Como funciona a distribuição do lucro do FGTS?

Diferentemente de um benefício pago diretamente ao trabalhador, a distribuição do lucro corresponde à divisão de parte do resultado financeiro obtido pelo FGTS durante o ano anterior.

O fundo aplica recursos em financiamentos habitacionais, obras de infraestrutura, saneamento básico, mobilidade urbana e outras operações previstas em lei. Essas aplicações geram receitas que, descontadas as despesas operacionais, resultam no lucro anual.

Desde 2017, uma parcela desse lucro passou a ser compartilhada com os trabalhadores que possuem saldo nas contas vinculadas.

Na prática, quanto maior o saldo existente no último dia do ano-base, maior será o valor creditado na distribuição.

O percentual exato ainda será definido pelo Conselho Curador, mas a tendência é que a política adotada nos últimos anos seja mantida, distribuindo grande parte do resultado obtido pelo fundo.

Quem poderá receber o crédito neste ano?

Terão direito ao crédito todos os trabalhadores que possuíam saldo em qualquer conta do FGTS no dia 31 de dezembro de 2025.

Isso inclui contas ativas, vinculadas ao emprego atual, e também contas inativas de vínculos empregatícios anteriores.

Mesmo quem foi demitido posteriormente ou já mudou de empresa continua tendo direito à distribuição proporcional ao saldo existente naquela data.

Em Mato Grosso, isso beneficia trabalhadores dos mais diversos segmentos, desde empregados do setor frigorífico e agroindustrial até profissionais da construção civil, motoristas, comerciários, trabalhadores rurais e servidores celetistas.

O dinheiro poderá ser sacado?

Uma dúvida comum entre os trabalhadores é se o crédito poderá ser retirado imediatamente.

A resposta é não.

O valor será incorporado ao saldo da conta do FGTS e seguirá as mesmas regras previstas em lei para saque.

Isso significa que o trabalhador somente poderá utilizar esse recurso nas situações autorizadas, como demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria, doenças graves previstas na legislação, saque-aniversário (para quem aderiu à modalidade) e outras hipóteses específicas.

Apesar disso, o dinheiro passa a integrar definitivamente o patrimônio do trabalhador e continua rendendo juntamente com o saldo existente.

Por que essa distribuição ficou ainda mais importante?

Durante muitos anos, uma das principais críticas ao FGTS era o baixo rendimento das contas vinculadas.

Tradicionalmente, o fundo remunera os depósitos com juros de 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), percentual frequentemente inferior à inflação em diversos períodos.

Esse cenário mudou após decisão do Supremo Tribunal Federal, que manteve a forma de remuneração prevista em lei, mas estabeleceu que o rendimento total do fundo não poderá ficar abaixo da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Na prática, a distribuição anual dos lucros tornou-se um dos principais mecanismos para garantir que o patrimônio do trabalhador preserve seu poder de compra ao longo do tempo.

Quanto cada trabalhador pode receber?

O percentual definitivo ainda depende da reunião do Conselho Curador, mas tomando como referência a distribuição realizada no ano passado, já é possível fazer uma estimativa de quanto poderá ser incorporado às contas do FGTS.

No último pagamento, cada trabalhador recebeu aproximadamente R$ 2,04 para cada R$ 100 existentes na conta.

Na segunda parte desta reportagem, o CenárioMT mostrará simulações para diferentes saldos, explicará como consultar o crédito pelo aplicativo oficial da Caixa Econômica Federal e analisará o impacto que essa distribuição pode ter na economia de Mato Grosso, especialmente em cidades que concentram grande número de trabalhadores formais, como Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Lucas do Rio Verde e Rondonópolis.

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