Arquitetura indígena ganha destaque em concurso nacional

Iniciativa do CAU/BR busca reconhecer conhecimentos tradicionais dos povos originários aplicados à construção e à sustentabilidade.

Terminam na próxima sexta-feira (10) as inscrições gratuitas para o Concurso Arquitetura Indígena no Brasil, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR). A iniciativa foi criada pela Comissão de Políticas Urbanas e Ambientais da entidade, que debate temas como a demarcação de terras indígenas e a contribuição dos povos originários para a arquitetura.

Segundo a conselheira do CAU/BR Leila Marques, muitos conhecimentos utilizados atualmente pela arquitetura e pela ciência têm origem em práticas indígenas. Ela destacou que técnicas e soluções desenvolvidas pelos povos tradicionais foram incorporadas ao longo do tempo por estudos técnicos e científicos.

Materiais naturais como madeira, bambu, palha, cipó e fibras são exemplos de recursos utilizados pelos povos indígenas e estudados por arquitetos atualmente. Essas práticas estão relacionadas ao conceito de soluções baseadas na natureza, com uso de materiais renováveis, não poluentes e de baixo impacto ambiental.

A proposta do concurso faz parte de um projeto da Comissão de Políticas Públicas e Ambientais do CAU/BR voltado ao estudo da Amazônia Legal, abrangendo também conhecimentos ligados aos povos ribeirinhos.

Concurso inédito

Esta é a primeira vez que o sistema CAU/Brasil realiza um concurso dedicado à arquitetura indígena e sua influência na arquitetura e no urbanismo. Os 13 principais trabalhos de cada categoria serão reunidos em uma publicação inédita sobre o tema.

Podem participar arquitetos e urbanistas, pesquisadores, professores, estudantes de pós-graduação, profissionais de áreas relacionadas e integrantes de grupos de pesquisa com trabalhos sobre arquitetura indígena, ocupação tradicional do território, preservação cultural, sustentabilidade e questões socioambientais da Amazônia Legal.

Os trabalhos inscritos podem abordar projetos técnicos de arquitetura, além de artigos acadêmicos e científicos. De acordo com Leila Marques, também são aceitas propostas que tratem dos espaços coletivos indígenas, como locais de celebrações, atividades culturais e convivência comunitária.

A conselheira explicou que técnicas indígenas de construção demonstram conhecimento sobre adaptação ao clima e uso eficiente dos recursos naturais. Entre os exemplos citados estão encaixes de madeira sem o uso de pregos ou parafusos e estratégias construtivas adequadas às condições locais.

Leila Marques também destacou o uso da palha em coberturas de casas indígenas, que contribui para reduzir o calor e favorece a ventilação dos ambientes. Segundo ela, essas práticas representam conceitos atualmente estudados na arquitetura, como conforto ambiental e arquitetura bioclimática.

Valorização histórica

O objetivo do concurso é ampliar o reconhecimento da contribuição dos povos originários para a arquitetura contemporânea e preservar conhecimentos tradicionais relacionados ao território, à cultura e à sustentabilidade.

Para o CAU/BR, registrar essa história é fundamental para valorizar as técnicas e experiências desenvolvidas pelos povos indígenas ao longo das gerações.

Os trabalhos vencedores receberão premiações em dinheiro. Em cada categoria, o primeiro colocado ganhará R$ 10 mil, o segundo receberá R$ 6 mil e o terceiro terá direito a R$ 4 mil. Também serão pagos R$ 2 mil aos classificados entre a quarta e a 13ª colocação.

O resultado final do concurso será divulgado em 27 de agosto. Caso sejam apresentados recursos, a divulgação poderá ocorrer até 8 de setembro. A publicação com os artigos e projetos selecionados está prevista para o fim deste ano.

CAU/BR

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) é a autarquia federal responsável por orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquiteto e urbanista em todo o país.

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