O Itaú Unibanco informou nesta quarta-feira (15) que uma de suas subsidiárias firmou um instrumento que prevê a aquisição de ativos do Banco de Brasília (BRB). A operação foi comunicada após questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), motivados por reportagens que citaram possíveis negociações envolvendo carteiras de crédito.
Segundo o banco, os valores envolvidos na transação são considerados imateriais dentro de seus critérios internos. Por esse motivo, a instituição afirma que o acordo não se enquadra como fato relevante para divulgação ao mercado, conforme a legislação vigente.
O comunicado foi assinado pelo diretor de Relações com Investidores do Itaú Unibanco, Gustavo Lopes Rodrigues. A instituição não divulgou valores nem detalhes adicionais sobre os ativos envolvidos na negociação.
A manifestação do banco ocorreu em resposta a questionamentos da CVM após publicação do jornal Correio Braziliense, que mencionou falas do banqueiro André Esteves em evento em São Paulo. Na ocasião, ele teria citado a avaliação de aquisição de ativos do BRB, além de negociações envolvendo grandes instituições financeiras em carteiras de crédito lastreadas por entes públicos.
Contexto do BRB
O Banco de Brasília enfrenta um período de pressão após a aquisição de carteiras do Banco Master, operação que gerou impacto negativo em sua estrutura patrimonial. O próprio BRB estima a necessidade de provisões da ordem de R$ 8,8 bilhões, enquanto uma auditoria independente aponta potencial necessidade superior, chegando a R$ 13 bilhões.
De acordo com informações divulgadas pela instituição, os ativos considerados saudáveis adquiridos nessa operação estão avaliados em R$ 21,9 bilhões.
O cenário levou o Governo do Distrito Federal a acompanhar de perto as movimentações. No dia 10, a governadora Celina Leão informou que um fundo de investimentos apresentou proposta de R$ 15 bilhões para aquisição de parte dos ativos relacionados ao Banco Master incorporados pelo BRB.
O governo local afirma que a operação ainda depende de análises técnicas e da aprovação de órgãos reguladores, incluindo o Banco Central. Em nota, o GDF destacou que não há uso de recursos públicos na negociação e que o objetivo é preservar a estabilidade e os interesses do Distrito Federal.
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