O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugurou nesta terça-feira (23) a primeira etapa das obras da Nova Serra das Araras, localizada na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), na altura do município de Paracambi, no Rio de Janeiro. O empreendimento integra o Programa de Aceleração do Crescimento e combina ampliação da infraestrutura viária com ações de sustentabilidade ambiental e social.
Entre as medidas adotadas no canteiro de obras, está a instalação de uma central de britagem no próprio local de intervenção. A estrutura permite o reaproveitamento de rochas resultantes de escavações e detonações, que são transformadas em insumos utilizados na construção da própria rodovia, reduzindo a geração de resíduos e a necessidade de novas áreas de extração.
De acordo com o engenheiro civil Thiago Pinho Batista, responsável pela engenharia de obras, o sistema funciona como uma espécie de pedreira em escala reduzida, permitindo a produção de materiais essenciais para diferentes etapas da construção. Os fragmentos passam por processos de britagem e peneiramento até serem aplicados em concreto, asfalto, drenagem e estruturas diversas.
Segundo a concessionária responsável pela execução do projeto, o reaproveitamento dos materiais é integral, o que reduz custos operacionais e impactos ambientais. A estratégia evita tanto o descarte em áreas de depósito de material excedente quanto a exploração de novas jazidas em outras regiões.
No âmbito do Novo PAC, o projeto da Nova Serra das Araras recebe investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A proposta inclui oito faixas de rolamento, 24 viadutos, duas rampas de escape e três passarelas. A obra já alcançou cerca de 70% de execução e deve melhorar a fluidez do tráfego em um trecho que registra alto volume de veículos, especialmente de cargas.
Com a conclusão total, a previsão é de redução significativa no tempo de deslocamento, com diminuição estimada de 25% no sentido subida, rumo a São Paulo, e até 50% na descida em direção ao Rio de Janeiro. Nesta fase inicial, foram liberados quatro quilômetros de pista de subida, com estruturas de contenção, viadutos e acostamento ampliado.
Além da infraestrutura viária, o projeto também adota medidas de preservação ambiental. Equipes especializadas atuam no resgate e monitoramento da fauna e flora durante as intervenções, incluindo o acompanhamento de ninhos e espécies sensíveis da região.
Em casos de animais feridos, há atendimento veterinário em campo ou encaminhamento para clínicas especializadas. Após recuperação, os animais são reintegrados ao habitat natural. Desde o início das obras, centenas de animais já foram afugentados e atendimentos emergenciais foram realizados.
Na área vegetal, o projeto inclui o resgate de germoplasma, com coleta de sementes, plântulas e epífitas antes da supressão da vegetação. A iniciativa busca preservar a diversidade genética e apoiar ações futuras de recuperação ambiental.
Desde o início das intervenções, foram identificadas dezenas de espécies vegetais, com centenas de exemplares resgatados e milhares de sementes coletadas. Parte das mudas produzidas em viveiro instalado no próprio canteiro já foi destinada a ações de reposição florestal em municípios da região.
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