Educação impulsiona iniciativas para ampliar o ensino da cultura afro-brasileira

Escolas paulistas reforçam práticas culturais e formativas para cumprir a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira. O debate avança, mas desafios persistem.

Fonte: CenárioMT

Educação impulsiona iniciativas para ampliar o ensino da cultura afro-brasileira
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Redes de ensino em todo o país ajustaram currículos e formações para garantir o cumprimento da legislação que tornou obrigatório, desde 2003, o ensino da história e cultura afro-brasileira da educação infantil ao ensino médio. Mesmo após duas décadas, conflitos culturais e falta de diálogo ainda geram impasses.

Durante o mês da Consciência Negra, uma escola da rede pública paulista registrou a entrada de policiais após a denúncia de um pai sobre um desenho de orixá feito pela filha. O episódio desencadeou críticas de famílias, comunidade escolar e representantes políticos.

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Na capital paulista, as unidades recebem obras com temática étnico-racial. Em 2022, a Secretaria Municipal de Educação adquiriu 700 mil exemplares para diferentes faixas etárias. As escolas também participam de formações contínuas e utilizam materiais de referência, como o documento “Orientações Pedagógicas: Povos Afro-brasileiros”.

As ações são acompanhadas pelo Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais, responsável por orientar práticas antirracistas e integrar esse acervo ao Currículo da Cidade. No âmbito estadual, professores recebem formação pelo Programa Multiplica Educação Antirracista, que aborda cultura e religiosidade africanas.

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“Eu não trabalho religião, eu ensino cultura”

Professora há mais de vinte anos, Núbia Esteves integra conteúdos afrodescendentes às aulas de geografia e a projetos interdisciplinares na EMEF Solano Trindade, na zona oeste de São Paulo. Ela explica que aborda os orixás a partir de seus aspectos culturais e mitológicos, comparando símbolos presentes em diferentes tradições.

Nas atividades, os estudantes exploram relações entre divindades africanas e personagens de outras mitologias, além de refletirem sobre preservação da natureza e temas ambientais. A docente também utiliza quadrinhos, literatura e produções artísticas como estratégias didáticas, incentivando a criação de narrativas e cordéis.

Rodas de conversa fazem parte da rotina escolar e estimulam reflexões sobre valores, convivência e ética. A professora relata que, ocasionalmente, é questionada por alunos sobre suposta abordagem religiosa. Ela esclarece que o estudo dos orixás é apresentado como referência histórica, artística e cultural, assim como ocorre com mitologia grega, lendas indígenas e tradições populares.

Núbia destaca que compreender símbolos de origem africana é fundamental para uma educação antirracista. Para ela, trabalhar esses conteúdos contribui para desmistificar preconceitos, ampliar repertórios culturais e enfrentar visões estigmatizadas construídas pelo racismo ao longo do tempo.

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Gustavo Praiado é jornalista com foco em notícias de agricultura. Com uma sólida formação acadêmica e vasta experiência no setor, Gustavo se destaca na cobertura de temas relacionados ao agronegócio, desde insumos até tendências e desafios do setor. Atualmente, ele contribui com análises e reportagens detalhadas sobre o mercado agrícola, oferecendo informações relevantes para produtores, investidores e demais profissionais da área.