Além dos impactos sobre a soja e o milho, fenômeno climático também acende alerta para a pecuária mato-grossense
Enquanto produtores rurais de Mato Grosso acompanham com atenção as previsões climáticas para a próxima safra, a pecuária também entrou no radar das preocupações relacionadas ao possível retorno do El Niño nos próximos meses.
Tradicionalmente associado aos impactos sobre culturas como soja, milho e algodão, o fenômeno pode provocar efeitos significativos sobre as pastagens, a sanidade animal e os custos de produção nas propriedades rurais.
Com o maior rebanho bovino do Brasil, Mato Grosso depende diretamente das condições climáticas para manter a produtividade das áreas de pastagem e garantir o desenvolvimento adequado dos animais ao longo do ano.
Mudanças climáticas podem afetar qualidade das pastagens
Entre os principais riscos para a pecuária está a irregularidade das chuvas e das temperaturas.
Dependendo da intensidade do fenômeno, algumas regiões podem enfrentar períodos prolongados de calor, redução da qualidade nutricional das pastagens e maior dificuldade para recuperação do capim.
Além disso, eventos climáticos extremos podem comprometer o desenvolvimento da vegetação utilizada na alimentação do rebanho, exigindo suplementação e aumentando os custos das propriedades.
A preocupação é ainda maior nas regiões produtoras do norte e médio-norte de Mato Grosso, onde a atividade pecuária convive diretamente com as variações do clima.
Calor excessivo pode reduzir desempenho dos animais
Outro fator observado pelos especialistas é o estresse térmico.
Temperaturas elevadas podem provocar redução no ganho de peso, menor eficiência alimentar e queda na produtividade dos animais.
No caso da pecuária leiteira, o impacto costuma ser ainda mais perceptível, já que vacas em lactação são altamente sensíveis às variações climáticas e ao calor excessivo.
Quando combinadas com umidade elevada, as temperaturas acima da média também criam um ambiente favorável para a proliferação de parasitas e agentes causadores de doenças.
Sanidade animal exige atenção redobrada
A possível atuação do El Niño também aumenta a preocupação com pragas que afetam os rebanhos.
Ambientes mais quentes e úmidos favorecem a multiplicação de carrapatos, moscas e outros parasitas que podem comprometer a saúde dos animais e elevar os custos com tratamentos veterinários.
Por isso, o monitoramento sanitário deve ser intensificado, especialmente em propriedades com grande concentração de animais.
Manter o calendário de vacinação atualizado e realizar acompanhamento constante das condições do rebanho são medidas consideradas fundamentais para reduzir riscos.
Planejamento pode minimizar prejuízos
Especialistas recomendam que os produtores utilizem os próximos meses para fortalecer o planejamento das propriedades.
Entre as medidas mais indicadas estão:
- Formação de reservas estratégicas de silagem e feno;
- Diversificação das fontes de alimentação animal;
- Manejo adequado das pastagens;
- Monitoramento climático frequente;
- Reforço dos programas sanitários;
- Planejamento de suplementação alimentar.
Essas ações ajudam a reduzir a dependência exclusiva das condições climáticas e aumentam a capacidade de resposta diante de possíveis adversidades.
Mato Grosso acompanha previsões para o segundo semestre
As previsões climáticas para o segundo semestre seguem sendo acompanhadas por produtores, entidades do agronegócio e instituições de pesquisa.
Embora os impactos possam variar entre as regiões do estado, o consenso é que a preparação antecipada será decisiva para minimizar prejuízos e preservar a produtividade das propriedades rurais.
Para a pecuária mato-grossense, o desafio não está apenas em enfrentar possíveis períodos de instabilidade climática, mas em transformar informação e planejamento em ferramentas para manter a competitividade de um dos setores mais importantes da economia estadual.
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