Lideranças religiosas de peso, incluindo aliados históricos de Bolsonaro, defendem que ter um representante da fé na Corte supera divergências ideológicas com o governo Lula.
A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) revelou um racha inesperado entre a base evangélica brasileira. Enquanto deputados e senadores da “bancada da Bíblia” mantêm forte oposição, grandes lideranças eclesiásticas fora do Congresso sinalizam apoio ao nome escolhido pelo presidente Lula.
A Prerrogativa do Presidente: O peso do apoio de Malafaia
Mesmo sendo um dos críticos mais ferozes do governo atual, o pastor Silas Malafaia defendeu o direito constitucional da nomeação. Segundo ele, se era um direito de Bolsonaro indicar seus ministros, a mesma regra se aplica agora.
“Se é prerrogativa de Bolsonaro indicar Kassio e André Mendonça, é prerrogativa de Lula indicar Messias. É um direito do presidente”, afirmou Malafaia, apesar de classificar o advogado como um nome de esquerda.
Representatividade em uma Corte de Maioria Católica
Um dos principais argumentos dos pastores é o fim do “monopólio religioso”. Atualmente, o STF é composto majoritariamente por ministros de formação católica. Ter Messias ao lado de André Mendonça é visto como uma vitória para o segmento.
Apóstolo Estevam Hernandes: “Ele tem nossos valores. Creio que é uma pessoa cristã e temente a Deus. Pessoalmente, acho o melhor nome dentro do quadro atual.”
Apóstolo César Augusto: Ressalta que Messias professa a Bíblia como palavra de Deus, algo fundamental para o credenciamento do representante no tribunal.
O Racha: Política vs. Religião
Especialistas e bispos, como Robson Rodovalho, apontam que a resistência vem quase exclusivamente de quem detém mandato. Para os políticos, a oposição é estratégica e ideológica; para os líderes das igrejas, o foco está na competência técnica de Messias e em seu caráter pessoal, que muitos dizem conhecer de perto.
Jorge Messias enfrentará a sabatina no Senado nesta quarta-feira (29). Se aprovado, ele ocupará uma das cadeiras mais importantes do país, carregando a expectativa de um setor que, embora dividido na política, parece unido na busca por espaço na mais alta corte do Brasil.
O que está em jogo?
- Equilíbrio: Aumentar a presença evangélica para 2 dos 11 ministros.
- Sabatina: O teste final no Senado ocorre em 29 de abril.
- Ideologia: O desafio de Messias em equilibrar pareceres técnicos com seus valores pessoais cristãos.
Publicado em 27 de abril de 2026. Atualizado conforme os últimos movimentos no Senado.
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