O deputado estadual Júlio Campos manifestou forte oposição à concessão de rodovias em estado crítico no Médio Norte de Mato Grosso. O parlamentar questiona a cobrança de tarifas em estradas que, segundo ele, carecem de infraestrutura básica.
O alerta foi feito ontem, quarta-feira (10) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O foco das críticas recai sobre o modelo de privatização que repassa ao usuário o custo de uma manutenção que ainda não foi realizada.
Estradas sem condições de tráfego
O principal alvo das críticas é a MT-338, conhecida como Estrada da Baiana. Apesar de sua relevância histórica e logística para ligar Juara a Sinop e Cuiabá, a via apresenta buracos extensos que colocam em risco os condutores.
Além da MT-338, o parlamentar citou a situação precária da MT-220, no trevo de Tabaporã. Ambas as rodovias foram incluídas em um pacote de concessões assinado em 01 de setembro de 2025 com o Consórcio Vale do Arinos.
A proposta prevê uma tarifa de R$ 12,75 a cada 30 quilômetros, valor que o deputado considera desproporcional ao serviço que é entregue atualmente.
Impacto na logística e prejuízo
A região afetada é um polo estratégico para o escoamento da produção agropecuária. Cidades como Lucas do Rio Verde, Tapurah, Itanhangá, Porto dos Gaúchos e Juína dependem dessas rotas para movimentar riquezas e atender mais de 150 mil habitantes.
Júlio Campos reforça que as rodovias precisam ser restauradas antes da entrega à iniciativa privada. Sem a recuperação prévia, o custo da manutenção será embutido no pedágio, tornando a tarifa muito superior à praticada em rodovias federais.
Comparativamente, o valor do pedágio em rodovias estaduais pode chegar ao dobro do praticado na BR-163, afetando diretamente a competitividade do produtor rural.
Por que isso afeta Mato Grosso?
Para o consumidor e o mercado mato-grossense, essa discussão é vital. Estradas precárias elevam o custo do frete, encarecem o preço dos alimentos e insumos nas prateleiras e geram insegurança. O setor produtivo defende que a privatização seja uma ferramenta de melhoria, não apenas um mecanismo de arrecadação sobre estradas degradadas.
O CenárioMT segue acompanhando os desdobramentos desta denúncia na Assembleia Legislativa. Clique aqui para conferir mais notícias sobre infraestrutura e política em Mato Grosso.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.