A Praça Alencastro, no coração da capital mato-grossense, voltou a se transformar em um polo de cores, aromas e sabores na manhã desta terça-feira (7).
A Feira Gastronômica e da Agricultura Familiar reuniu dezenas de produtores, artesãos e consumidores em mais uma edição de um projeto que vem colhendo resultados sólidos: estimular a comercialização direta, elevar a renda no campo e combater o desperdício de alimentos.
A feira funciona semanalmente em dois dias fixos — às terças-feiras e aos sábados, das 7h às 17h —, oferecendo estabilidade para o planejamento de quem planta e previsibilidade para quem consome.
O ciclo virtuoso da comercialização direta
De acordo com o coordenador do evento, Luís Alberto Rodrigues Leite, o crescimento consistente das vendas nas últimas semanas gerou um impacto direto na rotina dos sítios e chácaras da Baixada Cuiabana. Sabendo que há demanda garantida, o homem do campo passou a produzir mais e com maior eficiência.
“O produtor começou produzindo aos poucos até consolidar a comercialização. Hoje já percebemos um aumento da produção no campo para atender à expectativa de vendas da feira. Isso reduz perdas e fortalece a agricultura familiar. Além disso, o artesanato e a gastronomia também vêm apresentando resultados muito positivos”, detalhou o coordenador.
O secretário municipal de Agricultura, Vicente Falcão, defende que o calendário fixo atua como um motor para a cadeia produtiva, garantindo que o morador do centro urbano tenha acesso regular a alimentos frescos e de procedência limpa.
Frutas da estação e tradição culinária
Nesta época do ano, o grande destaque das bancas fica por conta da mexerica ponkan e do mamão cultivado na comunidade do Aguaçu, na Grande Cuiabá — na edição anterior, cerca de 30 caixas da fruta foram vendidas quase instantaneamente.
Além das frutas sazonais, os balcões oferecem uma variedade da culinária e da cultura regional:
- Hortifrúti fresco: Banana, quiabo, jiló, maxixe, limão e temperos variados;
- Produtos rústicos e naturais: Mel silvestre, chás medicinais, açafrão, jatobá e banha de porco caipira;
- Gastronomia afetiva: Francisquito cuiabano, roscas caseiras, paçoca de pilão, bolos e biscoitos artesanais.
Para frequentadores assíduos, como a consultora de vendas Selene de Souza Araújo, a feira virou um compromisso obrigatório de terça-feira. “A qualidade dos produtos, o preço e também a valorização do pequeno produtor são os motivos que me fazem voltar toda semana”, afirma.
Da dependência logística à autonomia comercial
Quem acompanha a evolução histórica das feiras livres em Cuiabá enxerga o atual modelo como um divisor de águas. O engenheiro agrônomo e professor universitário aposentado Manuel Gonçalves dos Santos, ex-secretário de Agricultura da Empaer, lembra que, no passado, os produtores dependiam criticamente de suporte e transporte público para trazer mercadorias à cidade. Hoje, a capilaridade das feiras descentralizou o acesso.
Essa facilidade logística atrai novos rostos para a Praça Alencastro. Estreando como expositora, Marlene Auxiliadora Brandão comemorou o ritmo das vendas de seus doces e biscoitos caseiros: “É a primeira vez que participo e estou gostando muito. Os produtos têm saído rapidamente e isso contribui para aumentar nossa renda”.
O veterano João Vicente Rodrigues, que vende mel, temperos e produtos naturais, aponta que o ponto comercial estratégico faz toda a diferença para o trabalhador da região central. “Quem já vem trabalhar no Centro consegue comprar aqui mesmo antes de voltar para casa. Isso é bom para quem vende e também para quem compra”, conclui.
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