A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou uma política permanente de ordenamento para a orla das praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. A iniciativa começará no próximo dia 16 e prevê ações diárias para recuperar áreas públicas, impedir novas ocupações irregulares, combater atividades sem autorização e garantir que comerciantes legalizados possam atuar conforme as normas municipais.
Durante o lançamento da operação, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a comercialização de produtos de origem ilegal e o aluguel de equipamentos ligados a atividades criminosas serão tratados com rigor. Segundo ele, pessoas sem autorização não poderão exercer atividades econômicas em áreas públicas, e a fiscalização terá tolerância zero para ocupações irregulares.
O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, informou que a operação contará com ações integradas de inteligência em parceria com as polícias Civil e Militar. De acordo com o município, já foram identificados mais de mil pontos de venda explorados ilegalmente nas quatro praias. As equipes realizarão patrulhamento diário, apreensão de mercadorias irregulares e combate a depósitos clandestinos.
Fiscalização permanente
O programa terá 69 pontos estratégicos de fiscalização e contará com 160 agentes por turno, em jornadas de 12 horas, totalizando 320 profissionais mobilizados diariamente. O monitoramento também utilizará drones e câmeras do Centro de Operações e Resiliência para ampliar a vigilância e dar suporte às equipes em campo.
O secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos, participou da apresentação da iniciativa e destacou que a medida busca impedir que organizações criminosas explorem pessoas por meio de atividades comerciais ilegais.
Investigação sobre comércio irregular
Segundo a prefeitura, foram identificados 22 depósitos irregulares que podem fazer parte da estrutura de armazenamento, abastecimento e arrecadação do comércio não autorizado.
A administração municipal afirma que o esquema envolve cobrança ilegal pelo uso de pontos de venda, exploração financeira de ambulantes, venda e aluguel clandestino de barracas, depósitos e equipamentos, além da comercialização de mercadorias sem origem comprovada.
De acordo com a prefeitura, essa estrutura reúne cerca de mil ambulantes e movimenta aproximadamente R$ 100 milhões por ano com a locação clandestina de pontos, depósitos e equipamentos. O objetivo da operação é desarticular essas estruturas e interromper fontes de financiamento e cadeias logísticas associadas ao crime organizado.
Medidas para ambulantes regularizados
O Programa Tolerância Zero também prevê ações voltadas aos comerciantes autorizados, que poderão continuar exercendo suas atividades dentro das regras municipais. Antes do início da operação, a Secretaria de Ordem Pública distribuirá termos de orientação com informações sobre as normas e restrições para utilização do espaço público.
A prefeitura informou ainda que manterá espaços destinados às atividades regularizadas, como a Feira Noturna e a Feirarte de Copacabana, além de disponibilizar dois imóveis para a implantação de depósitos legalizados na região.
Alternativas de emprego
Os trabalhadores interessados em deixar a informalidade poderão ser encaminhados para programas municipais de qualificação profissional, inclusão produtiva e acesso a vagas de emprego. Segundo a prefeitura, a medida busca ampliar as oportunidades de trabalho formal e reduzir a informalidade. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que a cidade criou 393,4 mil empregos formais nos últimos cinco anos.
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