Diploma é concedido pela UFRJ a Stuart Angel 55 anos após sua morte

A Universidade Federal do Rio de Janeiro realizou uma cerimônia póstuma para conceder o diploma de bacharel em Ciências Econômicas a Stuart Angel. A homenagem integra ações de preservação da memória de estudantes mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, nesta terça-feira (7), o diploma de bacharel em Ciências Econômicas a Stuart Edgard Angel Jones, 55 anos após sua morte. O estudante teve sua trajetória acadêmica interrompida em 1971, aos 25 anos, quando foi sequestrado, preso, torturado, assassinado e passou a integrar a lista de desaparecidos políticos durante a ditadura militar.

A cerimônia ocorreu no Salão Dourado da universidade, localizado no campus da Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro, e marcou a conclusão simbólica do curso que Stuart frequentava antes de sua morte.

O reconhecimento foi resultado de uma mobilização conduzida pela jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, e pelo economista Lucas Duda, ex-diretor do Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA), vinculado ao Instituto de Economia da UFRJ. O pedido foi encaminhado ao reitor Roberto Medronho após uma homenagem realizada em maio do ano passado pelos 54 anos da morte do estudante.

Segundo Lucas Duda, a iniciativa busca representar uma reparação histórica diante da interrupção da vida acadêmica de Stuart e preservar sua memória entre as novas gerações de estudantes. Ele também afirmou que pretende ampliar o reconhecimento para outros alunos mortos ou desaparecidos durante o período da ditadura.

Hildegard Angel classificou a diplomação como mais um passo na preservação da memória daqueles que resistiram ao regime militar. Para ela, o ato simboliza o reconhecimento da trajetória de pessoas que lutaram por liberdade e por mudanças sociais no país.

A jornalista também recordou as perdas sofridas por sua família durante o período. Além de Stuart, sua mãe, a estilista Zuzu Angel, morreu após denunciar o desaparecimento do filho, e sua cunhada, Sônia Moraes, também foi vítima da repressão.

Para Hildegard, a entrega do diploma representa ainda o reconhecimento da persistência de Zuzu Angel na busca por respostas sobre o desaparecimento do filho e pelo direito de localizar seus restos mortais.

O reitor Roberto Medronho afirmou que a diplomação possui caráter de reparação e preservação da memória, destacando que o episódio serve como reflexão para os cerca de 70 mil estudantes de graduação e pós-graduação da universidade sobre a importância da defesa da democracia.

De acordo com a UFRJ, o atestado de óbito de Stuart Angel foi retificado pelo Estado brasileiro em 2019. O documento passou a registrar oficialmente que sua morte foi violenta e causada pelo Estado no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964.

Novas homenagens previstas

A UFRJ informou que também pretende conceder homenagens póstumas a outros 25 estudantes mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar. A cerimônia ainda não tem data confirmada, mas a expectativa da Comissão de Memória e Verdade da universidade é realizá-la após a conclusão dos procedimentos administrativos.

Entre os homenageados, três já possuíam diploma universitário: Lincoln Bicalho Roque, Raul Amaro Nin Ferreira e Solange Lourenço Gomes. Nesses casos, a universidade estuda a entrega de medalhas póstumas em reconhecimento às suas trajetórias.

A seleção dos estudantes foi baseada nas informações do volume 3 do relatório da Comissão Nacional da Verdade, que reúne registros de mortos e desaparecidos políticos reconhecidos oficialmente.

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