A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) confirmou, por unanimidade, a manutenção da prisão preventiva de Mauro Henrique Santos Vilela. Ele é apontado como um dos líderes de um sofisticado esquema de golpes virtuais que operava em Tangará da Serra, ao lado da estudante de Direito Lília Grazielly Correia da Silva.
A decisão foi proferida durante sessão realizada na última terça-feira (7), seguindo o voto da relatora, a juíza convocada Christiane da Costa Marques Neves. A defesa buscava substituir a prisão por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, o que foi negado pela Corte.
Reincidência e risco à ordem pública
Ao negar o habeas corpus, a relatora fundamentou sua decisão no histórico criminal do investigado. Segundo os autos, Mauro é reincidente específico no crime de uso de documento falso, possui condenação transitada em julgado por tráfico de drogas e responde a uma ação penal por embriaguez ao volante. Para a magistrada, a liberdade do suspeito representaria um risco à ordem pública diante da contumácia delitiva.
Engenharia social e movimentação de R$ 700 mil
As investigações revelam um esquema de “engenharia social” onde o casal se passava por agentes bancários. Através de links fraudulentos, eles obtinham dados das vítimas para subtrair valores. A Polícia Civil estima que mais de 100 pessoas tenham sido lesadas em Mato Grosso.
Em apenas 12 meses, o grupo movimentou cerca de R$ 700 mil, valor totalmente incompatível com a renda mensal declarada pelo suspeito, de aproximadamente R$ 4 mil. Para ocultar a origem do dinheiro, o casal utilizaria uma empresa de fachada no setor de materiais de construção, configurando o crime de lavagem de dinheiro.
“Tropa da Giih” e vazamento de informações
O nível de organização do grupo chamou a atenção das autoridades. Lília Grazielly participava de um grupo de WhatsApp denominado “Tropa da Giih”, que contava com mais de 160 integrantes e possuía hierarquia, metas de produtividade e bonificações para os golpistas mais “eficientes”.
Além das fraudes, há indícios gravíssimos de que a estudante, aproveitando-se da condição de estagiária no Poder Judiciário, teria acessado e repassado informações sigilosas para uma facção criminosa. O processo segue em tramitação e as ações penais continuam a apurar a extensão total dos danos causados pela organização.
Reportagem baseada no acórdão da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
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