A urgência na redução dos índices de sinistralidade asfáltica, a padronização dos protocolos de resgate aeromédico e o impacto de novas matrizes energéticas na frota nacional pautaram os debates na capital. O Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, sedia nesta quarta e quinta-feira (24 e 25 de junho) o 2º Congresso Nacional de Emergência e Segurança Viária (Conesv).
O fórum técnico congrega engenheiros de tráfego, oficiais dos Corpos de Bombeiros, concessionárias de rodovias e autoridades regulatórias de múltiplos estados para alinhar as metas de preservação de vidas no trânsito brasileiro.
Inovação tecnológica e veículos elétricos impõem novos desafios ao resgate veicular
O principal eixo de debates técnicos do congresso concentrou-se na evolução da engenharia automotiva e seus reflexos no atendimento pré-hospitalar (APH). A rápida expansão da frota de veículos elétricos e híbridos nas rodovias e perímetros urbanos exige uma reformulação completa nos Manuais de Procedimento Operacional Padrão de desencarceramento praticados pelas forças de salvamento.
Os palestrantes alertaram que colisões envolvendo baterias de alta tensão demandam técnicas específicas para mitigar riscos de choque elétrico severo nas equipes de socorro e conter incêndios químicos de alta combustão (fuga térmica), que não são extintos por métodos convencionais.
Além disso, a introdução de sistemas de automação veicular e inteligência artificial de assistência à condução (ADAS) exige que os órgãos de fiscalização e infraestrutura atualizem a sinalização viária e os sensores de monitoramento de tráfego.
Conesv alinha ações operacionais às metas de redução de mortes do Pnatrans
Os painéis estatísticos apresentados reforçaram que as colisões e atropelamentos permanecem no topo das principais causas de óbitos por fatores externos no Brasil. O coordenador técnico do Conesv, major BM Rivaldo Miranda de Andrade, evidenciou que a programação científica foi cirurgicamente desenhada para subsidiar o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans).
“O Conesv busca fortalecer o diálogo transversal e prático entre as instituições e os profissionais que atuam diretamente na linha de frente da segurança viária. Toda a nossa grade estrutural inclui simulados em tempo real, capacitações avançadas e desafios de desencarceramento que convergem diretamente com as metas nacionais de redução da mortalidade viária estabelecidas pela ONU”, detalhou o major BM Rivaldo Miranda.
Setor automotivo e cooperação internacional debatem transição energética na América Latina
A visão corporativa da indústria foi defendida pelo diretor de Assuntos Regulatórios da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Gilberto Martins. O executivo discursou sobre os investimentos em segurança ativa — como frenagem automática de emergência e alertas de ponto cego — que saem das linhas de montagem para tentar conter o erro humano nas estradas.
No plano geopolítico, o intercâmbio de doutrinas foi chancelado pelo especialista argentino Marcelo Radrizzani. O consultor internacional destacou que a padronização de táticas de salvamento e o compartilhamento de dados epidemiológicos de acidentes entre os países da América Latina aceleram a eficiência do atendimento médico nas primeiras horas do trauma (a chamada “hora de ouro”).
O mapa de diretrizes operacionais e as frentes integradas discutidas no Conesv ficaram desenhados na seguinte matriz técnica:
| Eixo Temático | Desafio Regulatório e Tecnológico | Proposta de Resposta / Meta Viária |
|---|---|---|
| Frota Eletrificada | Risco de fuga térmica em baterias de íon-lítio e cortes estruturais perigosos no chassi. | Criação de guias de resgate específicos por modelo e treinamento de isolamento elétrico para bombeiros. |
| Metas do Pnatrans | Elevado índice de invalidez permanente e mortes de motociclistas e pedestres. | Desenho de vias calmas, fiscalização eletrônica por IA e auditorias preventivas de engenharia asfáltica. |
| Integração de Fronteira | Disparidade nos tempos de resposta médica e vácuo de comunicação em rodovias transcontinentais. | Criação de um protocolo unificado de APH e compartilhamento de tecnologias de desencarceramento pesado. |
Simulados práticos e competições estendem-se até esta sexta-feira
O cronograma do Conesv estende-se até esta sexta-feira (26 de junho), reservando o último dia para a execução de oficinas de campo, pistas de manobra com viaturas pesadas e desafios nacionais de resgate veicular técnico entre corporações de diferentes estados.
Os relatórios técnicos emitidos pelas comissões do fórum serão reunidos em um caderno de recomendações operacionais. O compilado será chancelado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e distribuído aos municípios e concessionárias de pedágio que gerenciam malhas viárias estratégicas em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos cadernos de metas do Pnatrans, manuais de segurança ativa da Anfavea e atas de engenharia de tráfego do 2º Conesv Cuiabá.
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