Wilson Santos aciona Procuradoria da ALMT após empresários usarem salvo-conduto para faltar à CPI da Saúde

Ausência de empresários na CPI da Saúde leva deputado a pedir embargos ao TJMT para esclarecer decisão.

O tensionamento institucional entre as prerrogativas de investigação do Poder Legislativo e as garantias jurídicas de investigados na esfera judicial voltou a paralisar os trabalhos de apuração de fraudes administrativas. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instaurada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), enfrentou um novo impasse nesta quarta-feira (24 de junho) após a ausência coletiva de três empresários e médicos que haviam sido formalmente intimados a prestar depoimento.

O grupo de convocados é alvo de investigações que se debruçam sobre supostas irregularidades em contratos de prestação de serviços terceirizados firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT) entre os anos de 2019 e 2023.

Wilson Santos determina embargos contra decisão do Tribunal de Justiça

As ausências foram respaldadas por liminares de salvo-conduto expedidas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Diante do esvaziamento da pauta de oitivas, o presidente da CPI da Saúde, deputado estadual Wilson Santos (PSD), reagiu de forma incisiva e determinou que a Procuradoria Geral da ALMT elabore e protocolize embargos de declaração junto ao Poder Judiciário.

O objetivo da medida é forçar o Tribunal a delimitar, de forma explícita, o real alcance jurídico do salvo-conduto concedido aos profissionais. A comissão técnica do Parlamento sustenta que o instrumento concedido pelo TJMT gerou dubiedade interpretativa:

  • Interpretação dos Investigados: Defendem que a decisão judicial os desobriga completamente de comparecer ao Plenário da Assembleia, evitando a exposição pública;
  • Entendimento da CPI: Argumenta que o comparecimento físico ao ato convocatório é compulsório, cabendo ao depoente apenas o direito constitucional de permanecer em silêncio diante de perguntas que possam autoincriminá-lo.

Para o comando da comissão, a jurisprudência consolidada em tribunais superiores estabelece que o não comparecimento deliberado afronta o poder de requisição inerente às CPIs, que possuem poderes instrutórios equivalentes aos de autoridades judiciais.

Investigação foca em contratos emergenciais e flexibilizações da pandemia

O núcleo da auditoria promovida pelos deputados concentra-se nos dispêndios financeiros realizados no auge da crise sanitária da Covid-19. Período em que a decretação de calamidade pública permitiu a flexibilização de regras da Lei de Licitações, abrindo caminho para contratações emergenciais sem concorrência de insumos, leitos de UTI e plantões médicos.

Wilson Santos asseverou que as manobras jurídicas protelatórias adotadas pelas defesas dos empresários atrasam a entrega do relatório final, mas não impedirão o avanço da instrução. A comissão estuda endurecer a estratégia de colheita de provas por meio de vias técnicas independentes, o que inclui:

  • Requisição direta de notas fiscais e prontuários de pagamento junto à Auditoria Geral do Estado (AGE);
  • Cruzamento de dados de empenhos com relatórios de fiscalização emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT);
  • Abertura de pedidos fundamentados para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos.

As ações de contraponto jurídico e o cronograma de enfrentamento do impasse ficaram detalhados na seguinte matriz processual:

Ação Estratégica da CPI Mecanismo Jurídico Empregado Objetivo e Desdobramento em Mato Grosso
Esclarecimento de Liminar Protocolo de Embargos de Declaração no TJMT Fazer o Tribunal de Justiça ratificar a obrigatoriedade da presença física dos médicos no Parlamento.
Asfixia Probatória Representação por Quebra de Sigilo Fiscal/Bancário Rastrear o fluxo financeiro de empresas contratadas mesmo sem o depoimento dos sócios-diretores.
Recurso Superior Acionamento do STF (Reclamação Constitucional) Garantir as prerrogativas das comissões legislativas em caso de reincidência de ausências.

Próxima sessão da CPI da Saúde está mantida para o dia 1º de julho

A despeito do conflito de entendimentos entre os poderes, o calendário deliberativo da comissão parlamentar não sofrerá interrupções. A próxima reunião ordinária foi confirmada para o dia 1º de julho, oportunidade em que uma nova lista de testemunhas e prestadores de serviços logísticos da área da saúde deverá prestar depoimento em Cuiabá.

A Mesa Diretora da Assembleia validou o suporte irrestrito à Procuradoria para recorrer a instâncias superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF), caso novas decisões monocráticas de primeira ou segunda instância continuem a blindar testemunhas de prestar esclarecimentos sobre o destino de verbas do SUS em Mato Grosso.

Reportagem baseada nas atas de reuniões da CPI da Saúde da ALMT, despachos regimentais do deputado Wilson Santos e termos de salvo-conduto do Tribunal de Justiça (TJMT).

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