A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) avançou em novas linhas de apuração nesta quarta-feira (3 de junho de 2026).
O colegiado, que investiga supostas irregularidades em contratos e repasses financeiros operados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante o enfrentamento da pandemia da Covid-19, aprovou por unanimidade uma ampla agenda de oitivas e incluiu um apagão de dados digitais no escopo dos trabalhos.
A reunião foi marcada pelo comparecimento dos delegados da Polícia Civil responsáveis pela condução da Operação Espelho — apuração policial que mira fraudes em plantões médicos e contratos de gestão hospitalar no estado.
Convocados para prestar depoimento, as autoridades policiais mantiveram-se em silêncio e não responderam aos questionamentos dos parlamentares, justificando que estão legalmente impedidos de compartilhar detalhes em decorrência do sigilo judicial que resguarda os inquéritos em andamento. A presidência da CPI acatou a justificativa, destacando o respeito às prerrogativas constitucionais das autoridades.
Foco em empresários e possíveis prejuízos ao erário
Como desdobramento imediato da sessão, a ala parlamentar chancelou o requerimento para convocar oito empresários que lideram companhias que firmaram contratos de grande porte com a SES no período pandêmico. O calendário de depoimentos está em fase de formatação pela secretaria da comissão e deve se estender entre os meses de junho e julho.
O objetivo técnico da CPI nesta etapa é cruzar dados fiscais e auditorias para rastrear indícios de:
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Prática de sobrepreço em insumos e equipamentos médicos;
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Logística de entregas parciais de mercadorias faturadas integralmente;
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Contratos de prestação de serviços terceirizados cujos objetos não teriam sido integralmente executados nos hospitais regionais.
Investigação sobre sumiço de documentos em ataque hacker
A grande novidade no direcionamento da comissão foi a anexação de uma nova frente de investigação: o ataque cibernético (invasão hacker) sofrido recentemente pelos servidores digitais da Secretaria de Estado de Saúde. O incidente provocou a corrupção e a perda de um volume considerável de arquivos, relatórios administrativos e históricos de documentos.
Para dimensionar a gravidade do episódio e descartar hipóteses de queima de arquivo digital, os deputados aprovaram um requerimento de informações direcionado à Casa Civil e à Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI). A comissão exige um diagnóstico detalhado que aponte quais sistemas foram efetivamente violados, quais pastas de auditoria foram deletadas, quais as barreiras de proteção falharam e quais medidas técnicas de backup estão sendo empregadas para tentar recuperar o acervo documental necessário às investigações.
Os trabalhos da comissão parlamentar terão continuidade na próxima quarta-feira, 10 de junho, com a análise de novos balancetes financeiros e a votação de novos pedidos de quebra de sigilo.
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