PEC na ALMT prevê reprovação de contas de prefeitos que não pagarem piso do magistério na educação infantil

Proposta pretende reforçar o cumprimento da legislação e ampliar o apoio aos municípios na adequação das carreiras.

A equalização jurídica de carreiras do magistério, a blindagem orçamentária para o cumprimento do piso nacional e a instituição de sanções administrativas severas contra gestores omissos pautaram os debates na ordem do dia do Parlamento. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) iniciou a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria mecanismos de coerção institucional para obrigar os 141 municípios do estado a aplicarem a nova Lei Federal nº 15.326/2026.

A normativa federal exige o enquadramento imediato de monitores, recreadores e auxiliares de creche na carreira do magistério público da educação básica, garantindo-lhes todos os direitos estatutários e salariais da categoria.

PEC vincula o descumprimento da lei à rejeição de contas pelo TCE-MT

A engenharia política da PEC introduz uma trava de responsabilidade fiscal e constitucional inédita no ordenamento estadual. O texto estipula que as prefeituras que se recusarem a promover a adequação administrativa ou que reterem o pagamento do Piso Nacional do Magistério para os profissionais da educação infantil terão suas contas anuais julgadas como irregulares e formalmente reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

A sanção fulmina a elegibilidade de prefeitos e secretários de finanças com base na Lei da Ficha Limpa, além de abrir margem para denúncias por crime de responsabilidade e improbidade administrativa junto ao Ministério Público Estadual (MPE). A justificativa da proposta assevera que apenas o risco de inelegibilidade e o bloqueio de certidões fiscais serão capazes de acelerar as reformas administrativas nos Executivos municipais.

Lei Federal nº 15.326/2026 unifica nomenclaturas e extingue cargos de ‘recreador’

O nó górdio da transição reside no impacto financeiro e na revisão de legislações locais. A Lei Federal nº 15.326/2026 alterou de forma profunda dispositivos da Lei do Piso Nacional do Magistério (Lei nº 11.738/2008) e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O marco jurídico unificou as carreiras, determinando que qualquer trabalhador da educação infantil em atividade de docência ou suporte pedagógico — desde que tenha ingressado por concurso público e possua a formação mínima exigida — integra o magistério básico.

Na prática, a legislação extingue os efeitos de diferenciação salarial por nomenclatura de cargo, beneficiando diretamente profissionais registrados sob os seguintes termos em Mato Grosso:

  • Educadores e assistentes infantis;
  • Agentes de desenvolvimento infantil (ADIs);
  • Monitores de creche, cuidadores e recreadores.

Com a unificação, esse contingente de trabalhadores passa a gozar, de forma compulsória, do direito ao piso salarial nacional da categoria, à jornada de trabalho com hora-atividade garantida e à progressão vertical e horizontal por tempo de serviço e titulação acadêmica.

Indicação parlamentar propõe suporte técnico e jurídico às prefeituras

Reconhecendo as assimetrias orçamentárias e as dificuldades técnicas de pequenos municípios, a ALMT encaminhou uma indicação ao Poder Executivo Estadual para a criação de uma força-tarefa de apoio institucional. O programa estadual atuará como um hub de consultoria por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), oferecendo subsídios técnicos estruturados em quatro pilares operacionais:

Eixo de Apoio Estadual Ferramentas e Insumos Disponibilizados Meta de Gestão nos Municípios de MT
Modelos Normativos Minutas padronizadas de projetos de lei para alteração dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Acelerar a votação das reformas nas Câmaras de Vereadores sem vícios de iniciativa ou inconstitucionalidades.
Capacitação de RH Treinamento de equipes de recursos humanos e contabilidade das prefeituras. Evitar erros no cálculo do impacto financeiro sobre o Índice de Gasto com Pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Acompanhamento Jurídico Criação de câmaras de mediação com a participação da AMM e do Ministério Público. Garantir segurança jurídica e mitigar a judicialização em massa por parte de sindicatos de servidores.
Mapeamento de Formação Censo funcional para identificar trabalhadores que necessitam de complementação pedagógica (Pedagogia/Normal Superior). Enquadrar os servidores que já possuem o direito e criar cronogramas de transição para os demais.

Audiência pública expõe lentidão e divergências no interior do estado

O termômetro da crise foi medido durante audiência pública no Plenário da ALMT, onde representantes da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-MT) alertaram que a maioria das prefeituras do interior ainda não concluiu a transição das carreiras. O atraso tem gerado um cenário de instabilidade jurídica, greves pontuais e passivos trabalhistas volumosos contra os cofres municipais.

A PEC agora seguirá para a análise de admissibilidade na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), onde receberá parecer técnico antes de enfrentar duas rodadas de votações nominais no Plenário, exigindo o voto favorável de três quintos dos deputados estaduais para ser promulgada e inserida na Constituição de Mato Grosso.

Reportagem baseada no texto original da Proposta de Emenda Constitucional apresentada na ALMT, acórdãos de orientação normativa do TCE-MT e textos consolidados da Lei Federal nº 15.326/2026.

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