Congresso no Parque Novo Mato Grosso reúne bombeiros de 26 estados em simulações de resgate

Evento realizado em Cuiabá reúne representantes de 26 estados, do Distrito Federal e de outros países para aprimorar técnicas de resgate e atendimento às vítimas.

A padronização internacional de protocolos de atendimento pré-hospitalar (APH), a redução do tempo-resposta em ocorrências complexas e o intercâmbio de engenharia de salvamento pautaram os painéis do maior encontro de resgate viário do país. O Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, sedia a segunda edição do Congresso Nacional de Emergência e Segurança Viária (Conesv), evento focado na unificação técnica de procedimentos entre bombeiros militares, médicos, paramédicos e gestores de trânsito.

Coordenado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), o fórum técnico atua como um hub de difusão de metodologias para mitigar as estatísticas de traumas e sinistros em rodovias.

Conesv reúne comitivas de 26 estados brasileiros e palestrantes internacionais

O alcance logístico e acadêmico da edição de 2026 consolidou-se com a presença de delegações oficiais oriundas de 26 estados da federação, além do Distrito Federal. A engenharia de cooperação expandiu-se para o ambiente global com a participação de especialistas e oficiais de salvamento de Portugal, Argentina, Peru e Costa Rica, promovendo uma auditoria viva dos manuais de atendimento a múltiplas vítimas e resgate pesado.

Durante a maratona de três dias de imersão — que se encerra oficialmente nesta sexta-feira (26 de junho) —, o público passou por certificações de padrão internacional. Entre os destaques estão o curso Stop The Bleed (protocolo global focado no controle imediato de hemorragias massivas) e o Rescue Training, treinamento de alta performance voltado para a estabilização de veículos deformados e extração rápida de pacientes críticos.

Maquiagem realística confere fidelidade às provas do Desafio Nacional de Salvamento

As arenas do Parque Novo Mato Grosso foram transformadas em cenários de alta complexidade para a execução do Desafio Nacional de Salvamento Veicular e Trauma. Os militares e socorristas foram testados em simulações dinâmicas onde as variáveis do acidente permaneciam sob estrito sigilo de inteligência até o acionamento do cronômetro.

Para garantir o estresse operacional e a fidelidade técnica, as vítimas simuladas passaram por intervenções de equipes de cenografia médica e maquiagem realística hiper-realista. O procedimento permitiu a reprodução visual de fraturas expostas, amputações, queimaduras e pneumotórax, exigindo que os avaliados realizassem o diagnóstico clínico correto na chamada “hora de ouro” do trauma.

“Toda a arquitetura das pistas e cenários foi planejada de forma minuciosa para emular o caos, a pressão temporal e os riscos físicos encontrados pelas guarnições nas rodovias brasileiras. Manter os cenários em completo sigilo até o soar do alarme força o comandante da linha de frente a ler o cenário com precisão, gerenciar os riscos e aplicar as técnicas internacionais de desencarceramento com foco absoluto na sobrevida do paciente”, explicou a tenente-coronel Marielle Paula Voltarelli Rodrigues, do CBMMT.

Bombeiros de Minas Gerais e do Espírito Santo destacam o intercâmbio tático

Uma das áreas de maior atratividade técnica operou no espaço Holmatro Experience. A arena concentrou oficinas práticas de desencarceramento pesado com ferramentas hidráulicas de última geração, simulando colisões envolvendo ônibus interestaduais e carretas bitrem de transporte de grãos.

A relevância da sinergia entre as corporações e as metodologias de treinamento de prontidão operacional ficaram detalhadas nas seguintes perspectivas dos participantes:

  • Visão do Espírito Santo: A 2ª sargento Larissa Gomes, do CBMES, enfatizou que a troca de experiências e o choque de realidade entre as diferentes culturas operacionais dos estados funcionam como um filtro para a eliminação de falhas procedimentais e refinamento da segurança das equipes;
  • Visão de Minas Gerais: O 3º sargento Guilherme Alves Queiros Souza, do CBMMG, destacou que sua corporação adota rotinas rígidas de treinamento baseado em simulações realistas, focando na extração limpa e controlada do paciente da estrutura colapsada no menor tempo físico possível.

As especificidades técnicas dos módulos de treinamento, os desafios operacionais e a estrutura de cooperação mobilizada no congresso ficaram sintetizados na seguinte matriz informativa:

Módulo Técnico / Atividade Prática Foco Metodológico e Equipamentos Meta de Padronização para os Estados em MT
Holmatro Experience Resgate veicular pesado (ônibus, caminhões e maquinários agrícolas). Aprimoramento de táticas de expansão, corte e elevação de cargas críticas.
Stop The Bleed Uso de torniquetes, agentes hemostáticos e curativos de três pontas. Capacitação para estancar hemorragias nasais e arteriais no primeiro minuto do trauma.
Desafio de Salvamento Provas cronometradas com avaliação por árbitros internacionais (ABRES). Mensurar a eficiência técnica, coordenação de equipe e biossegurança na linha de corte.

Mesa Diretora do Conesv recolhe dados para atualização de manuais de APH

A coordenação do Conesv informou que as métricas e os relatórios de performance colhidos pelos avaliadores das provas de trauma serão tabulados e compartilhados com a Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil (Ligabom). O banco de dados servirá de substrato para a revisão periódica das diretrizes nacionais de atendimento pré-hospitalar e aquisição de novas tecnologias de resgate pelas corporações.

Os encerramentos das atividades de campo nesta noite darão lugar à entrega das premiações e troféus de eficiência às equipes que registraram as melhores marcas de tempo e conformidade técnica nas pistas de Cuiabá. As resoluções científicas firmadas no congresso passarão a orientar os protocolos de atendimento e salvamento em rodovias ao longo de todo o ano letivo das forças de segurança de Mato Grosso.

Reportagem baseada nos diários operacionais do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), regulamentos técnicos da Associação Brasileira de Resgate e Salvamento (ABRES) e cadernos de diretrizes internacionais de APH.

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