A elucidação de crimes contra a vida no ambiente doméstico, a articulação tática entre equipes de inteligência e a aplicação das diretrizes protetivas e correcionais do direito da infância pautaram a ação policial no Norte do estado. Quatro adolescentes foram localizados e apreendidos pela Polícia Judiciária Civil sob a acusação de cometerem ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado.
A ação desenvolveu-se em decorrência do assassinato de Samara Aparecida da Conceição, de 34 anos, crime que chocou o município de Colíder. A principal mentora e executora do plano investigado pelas autoridades é a própria filha da vítima, uma menor de apenas 13 anos de idade.
Vítima foi morta enquanto dormia em residência no bairro Jardim Alvorada
Os levantamentos topográficos e o exame necroscópico inicial indicam que o homicídio foi perpetrado na madrugada de 11 de setembro de 2025, no interior da residência da família, localizada no bairro Jardim Alvorada. O relatório de investigação aponta que o grupo — composto pela filha da vítima, pelo namorado dela (um jovem de 16 anos) e por outros dois comparsas de 13 e 15 anos — invadiu o imóvel aproveitando-se do momento em que Samara dormia, anulando qualquer possibilidade de defesa da vítima.
Após a execução do ato, os adolescentes subtraíram valores em dinheiro em espécie que estavam guardados nos cômodos e iniciaram um protocolo de modificação da cena do crime. Os jovens tentaram limpar vestígios hemáticos e reorganizar objetos para simular uma dinâmica de latrocínio ou ocultar os vetores de autoria, fugindo em seguida para a periferia regional.
Comentários no ambiente escolar em Colíder levantaram as primeiras suspeitas
O início das suspeitas que culminaram na desarticulação do bando decorreu do monitoramento comportamental e de informações colhidas no ambiente escolar frequentado pela principal suspeita. A ausência injustificada da adolescente na instituição de ensino logo no primeiro dia útil após o crime acendeu o alerta dos investigadores, que passaram a entrevistar o corpo discente e professores.
A varredura de campo revelou depoimentos contundentes. Colegas de classe relataram que a menor de 13 anos já havia manifestado de forma reiterada e explícita a intenção de ceifar a vida da mãe.
A motivação mapeada pela Polícia Civil está diretamente vinculada a severos atritos familiares. Samara manifestava forte oposição ao relacionamento afetivo da filha com o adolescente de 16 anos, gerando um histórico de rebeldia que culminou na execução do plano homicida. Ao serem confrontados com as evidências coletadas, os quatro adolescentes confessaram a participação material e intelectual no ato.
A qualificação dos envolvidos, as funções presumidas na cena e os caminhos jurídicos processuais ficaram indexados na seguinte matriz de acompanhamento policial:
| Infrator / Idade | Vínculo / Papel Investigado no Delito | Medida Legal Aplicada (ECA) em MT |
|---|---|---|
| Adolescente (13 anos) | Filha da vítima; apontada como mentora intelectual do plano. | Apreensão em flagrante; encaminhamento para internação provisória. |
| Adolescente (16 anos) | Namorado da filha; coautor na invasão e execução física. | Custódia especial de segurança; apresentação ao Ministério Público (MPE). |
| Adolescentes (13 e 15 anos) | Coautores; apoio logístico na invasão e alteração da cena. | Cumprimento de mandado de busca e apreensão de menores. |
| Núcleo da Ofensiva | Subtração de valores e fuga para o interior da mata. | Instauração de Procedimento Apuratório de Ato Infracional. |
Infratores foram capturados em zona rural e aguardam vagas no sistema socioeducativo
O cerco policial definitivo foi fechado após o rastreamento dos suspeitos em uma região de chácaras e mata nativa situada na divisa geográfica entre os municípios de Colíder e Nova Canaã do Norte. Os menores foram interceptados por equipes da Delegacia de Colíder e conduzidos sob estrita segurança para a unidade policial.
Por envolver unicamente indivíduos com idade inferior a 18 anos, todo o rito processual, audiências de apresentação e aplicação de sanções são balizados de forma rígida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O ato infracional análogo ao homicídio qualificado sujeita os menores à medida socioeducativa de internação em regime fechado em Centros de Atendimento Socioeducativo (Case).
O inquérito policial e os laudos técnicos da Politec serão remetidos à Vara da Infância e Juventude para que o Ministério Público ofereça a representação formal contra os envolvidos em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos boletins de ocorrência da Polícia Civil de Mato Grosso, depoimentos colhidos pela Delegacia Municipal de Colíder e diretrizes correcionais do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990).
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