A repressão a crimes de gênero no âmbito doméstico, o cumprimento rigoroso dos protocolos da Lei Maria da Penha e a responsabilização de agentes da segurança pública pautaram o registro de uma ocorrência de extrema gravidade na região Sul do estado. Um sargento da Polícia Militar é alvo de investigação criminal após agredir violentamente sua ex-companheira, de 29 anos, durante a madrugada desta quarta-feira (24 de junho), em Rondonópolis.
O militar, que descumpriu ordens de parada da própria corporação e fugiu do Hospital Unimed após proferir ameaças de morte contra os agentes de plantão, permanece foragido.
Militar invade residência e aplica ‘mata-leão’ até ex-companheira desmaiar
Os relatos técnicos do boletim de ocorrência detalham o cenário de terror vivido pela vítima no interior de sua residência. Por volta das 3h50, o sargento — que compartilha a guarda de um filho com a ex-companheira — invadiu a propriedade sem autorização, arrombou a estrutura da porta do quarto e passou a exigir, sob forte coação psicológica, que a mulher desbloqueasse a senha de seu aparelho celular. Diante da recusa da jovem, o agressor iniciou uma série de agressões físicas brutais.
A vítima relatou aos investigadores que sofreu tentativa de asfixia mecânica com o uso de um travesseiro, recebeu socos na região do rosto e foi imobilizada com um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”, o que provocou a perda imediata de sua consciência. Ao retomar os sentidos, ela foi arrastada pelos cabelos até o banheiro do imóvel, onde desmaiou novamente devido à intensidade das lesões. Ao acordar expelindo secreções e passando mal, ela convenceu o agressor a transportá-la até o pronto-atendimento privado.
Vítima aproveita exame de tomografia na Unimed para pedir socorro a funcionário
Ao dar entrada na urgência do Hospital Unimed de Rondonópolis, o investigado tentou estabelecer um cordão de isolamento e intimidação, ordenando que a ex-companheira sustentasse aos médicos a versão fraudulenta de que havia sofrido apenas um desmaio doméstico clínico. Contudo, ao ser isolada para a realização de um exame de tomografia computadorizada, a mulher conseguiu quebrar o ciclo de silêncio e relatou as agressões a um maqueiro da unidade hospitalar, implorando pelo acionamento do telefone 190.
Uma guarnição da Polícia Militar deslocou-se com prioridade para o hospital e interceptou o suspeito na recepção, determinando que ele aguardasse a lavratura dos atos de triagem. Ignorando a ordem legal dos colegas de farda, o sargento entrou no carro pertencente à própria vítima e iniciou manobra de fuga. Antes de transpor os portões da Unimed, ele realizou uma chamada telefônica em viva-voz e disparou:
“Pai, estou com a GUPM (Guarnição da Polícia Militar) aqui. Se ela botar a mão em mim, eu vou atirar”.
A cronologia das agressões, as tipificações penais registradas e os procedimentos de amparo assistencial ficaram consolidados na seguinte tabela de acompanhamento institucional:
| Fase do Incidente / Local | Conduta Delituosa e Dinâmica Registrada | Medida Protetiva e Status Legal em MT |
|---|---|---|
| Invasão e Agressão (Residência) | Arrombamento de quarto, sufocamento e golpes de “mata-leão”. | Abertura de inquérito por Lesão Corporal e Ameaça (Lei Maria da Penha). |
| Coação e Fuga (Hospital Unimed) | Tentativa de ocultar o crime e desobediência flagrante à ordem da PM. | Fuga do perímetro urbano utilizando veículo automotor da própria vítima. |
| Acompanhamento de Saúde | Atendimento médico de urgência e exames de imagem neurológica. | Ativação de suporte psicológico especializado e emissão de guias para o IML. |
| Situação Funcional do Alvo | Policial militar colocado à disposição do Fórum de Rondonópolis. | Notificação interna da Corregedoria Geral da PMMT para instauração de PAD. |
Corregedoria acompanha o caso; sargento promete se apresentar com advogado
Múltiplas viaturas operacionais realizaram varreduras de saturação na tentativa de capturar o sargento em flagrante, estendendo o cerco até o perímetro residencial da vítima, porém sem sucesso na localização do veículo ou do condutor. Cerca de 30 minutos após quebrar o cerco policial, o suspeito efetuou um contato telefônico informando que não se entregaria nas ruas, prometendo uma apresentação espontânea posterior em sede policial, sob o acompanhamento de sua banca de advogados.
Os registros administrativos indicam que o sargento havia atuado em regime de cedência junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e havia sido colocado recentemente à disposição da diretoria do Fórum da Comarca de Rondonópolis, onde deveria iniciar suas novas atribuições institucionais.
O caso foi formalizado no plantão da 1ª Delegacia de Polícia de Rondonópolis. A Polícia Civil já representou perante o Poder Judiciário a concessão imediata de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) para proibir a aproximação e o contato do agressor com a vítima e seus familiares em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos boletins de ocorrência da Polícia Militar de Rondonópolis, prontuários de atendimento emergencial do Hospital Unimed e autos de encaminhamento da 1ª Delegacia de Polícia Civil.
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