Produção industrial fica estável em novembro, mas perde fôlego e recua na comparação anual

Indústria mantém nível acima do pré-pandemia, porém segue distante do recorde histórico e registra maior disseminação de quedas entre os setores, aponta IBGE

A produção industrial brasileira registrou variação nula (0,0%) em novembro, na comparação com outubro, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado sucede um leve avanço de 0,1% observado no mês anterior e indica acomodação da atividade no curto prazo. Ainda assim, o setor permanece 2,4% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, embora continue 14,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

No acumulado de 2025, a indústria avançou 0,6%, enquanto, no recorte dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 0,7%. Apesar de os indicadores seguirem no campo positivo, os dados apontam perda de ritmo em relação aos meses anteriores. As informações fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Queda reaparece na comparação com o ano anterior

Na comparação com novembro de 2024, o total da indústria voltou a apresentar retração, com recuo de 1,2% na produção. O desempenho negativo se espalhou por boa parte do parque industrial, atingindo três das quatro grandes categorias econômicas, 16 dos 25 ramos pesquisados, 51 dos 80 grupos e 54,4% dos 789 produtos acompanhados pela pesquisa.

Setores com alta sustentam parcialmente o resultado

Entre as dez atividades que apresentaram crescimento frente a outubro, o maior impacto positivo veio do setor de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que avançou 9,8% e exerceu a principal influência sobre a média da indústria. Também contribuíram para conter uma queda mais intensa os segmentos de impressão e reprodução de gravações, com alta expressiva de 18,3%, além de metalurgia, produtos de metal, produtos de minerais não metálicos e máquinas e equipamentos.

Indústrias extrativas lideram as quedas no mês

Por outro lado, duas das quatro grandes categorias econômicas e 15 ramos industriais registraram retração em novembro. A principal influência negativa partiu das indústrias extrativas, que recuaram 2,6% no mês. Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o resultado reflete a menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro, devolvendo parte do avanço de 3,5% observado em outubro, quando o setor havia interrompido dois meses consecutivos de queda.

Outros resultados negativos relevantes foram observados nos setores de veículos automotores, reboques e carrocerias, produtos químicos, produtos alimentícios e bebidas, reforçando o quadro de maior disseminação de perdas na indústria.

Bens de consumo duráveis recuam com mais intensidade

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis apresentaram a taxa negativa mais elevada na passagem de outubro para novembro, com recuo de 2,5%, eliminando parte da expansão registrada no mês anterior. Os bens intermediários também permaneceram em queda, com retração de 0,6%, marcando o terceiro mês consecutivo de resultado negativo e acumulando perda de 1,8% no período.

Em sentido oposto, os segmentos de bens de capital e de bens de consumo semi e não duráveis mostraram desempenho positivo, com altas de 0,7% e 0,6%, respectivamente. O setor de bens de capital acumula crescimento de 2,1% em três meses consecutivos, enquanto os bens semi e não duráveis somaram ganho de 1,5% entre outubro e novembro.

Comparação anual revela contrastes entre os setores

Na comparação com novembro de 2024, as maiores influências negativas no total da indústria vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuaram 9,2%, e de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 7,0%. Também apresentaram retração expressiva os setores de produtos de metal, produtos químicos, madeira, bebidas, máquinas e materiais elétricos, artefatos de couro e calçados, equipamentos de informática e móveis.

Por outro lado, entre as atividades que cresceram frente ao mesmo mês do ano anterior, indústrias extrativas e produtos alimentícios exerceram os maiores impactos positivos na média da indústria. Também se destacaram os ramos de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, celulose e papel e metalurgia.

Pesquisa reflete mudanças estruturais da indústria

A Pesquisa Industrial Mensal acompanha, desde a década de 1970, o comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação no Brasil. A partir de março de 2023, passou a divulgar uma nova série de índices, após reformulação metodológica que atualizou a amostra de atividades, produtos e informantes, além da estrutura de ponderação e do ano-base de referência. As mudanças buscam refletir de forma mais fiel as transformações recentes da economia brasileira e ampliar a cobertura regional da pesquisa.

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