O mercado financeiro viveu uma quinta-feira de pesadelo. O que deveria ser apenas mais uma noite de balanços do 1º trimestre de 2026 transformou-se em um verdadeiro “banho de sangue” para as gigantes do setor. Magazine Luiza e Mercado Livre lideraram a debandada dos investidores, arrastando consigo outros nomes fortes como Azzas e Renner.
Magalu: Do lucro ao prejuízo em um piscar de olhos
A surpresa negativa veio com força para o Magazine Luiza (MGLU3). A varejista, que havia registrado lucro no ano anterior, chocou analistas ao reportar um prejuízo líquido ajustado de R$ 34 milhões.
O mercado não perdoou: as ações desabaram quase 10%. O culpado? O canal digital, que encolheu 11% em vendas, mostrando que nem as lojas físicas resilientes conseguiram segurar o rojão de um cenário macroeconômico hostil e juros altos.
Mercado Livre: Nem o lucro bilionário salvou as margens
Se o Magalu sofreu com a falta de lucro, o Mercado Livre (MELI34) sofreu com o “excesso” de gastos. Apesar de lucrar US$ 417 milhões, o valor foi 15,6% menor que o esperado.
A estratégia da gigante de investir pesado em frete grátis e logística para esmagar a concorrência acabou assustando os acionistas, que viram as margens de lucro minguarem. Resultado: uma queda livre de 12,70% em Nova York e mais de 9% nos BDRs brasileiros.
Resumo dos Balanços: Quem caiu e por quê?
| Empresa | Ação | Queda | Principal Motivo |
|---|---|---|---|
| Magalu | MGLU3 | -9,95% | Prejuízo inesperado e queda brusca no e-commerce (1P). |
| Mercado Livre | MELI34 | -9,17% | Investimentos pesados sacrificando as margens de lucro. |
| Azzas 2154 | AZZA3 | -8,60% | Lucro 45% menor e dificuldades operacionais pós-fusão. |
| Lojas Renner | LREN3 | -3,95% | Vendas abaixo do esperado, apesar da boa margem bruta. |
O Efeito Dominó: Moda também entra no vermelho
A “tempestade” não poupou o setor de vestuário:
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Azzas 2154 (fusão Arezzo/Soma): O lucro recorrente despencou 45,7%, revelando que a integração das marcas está sendo mais amarga do que o previsto. As vendas de calçados e itens básicos foram os pontos críticos.
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Lojas Renner: Embora tenha sido a única a apresentar alta no lucro (16,4%), as vendas “mesmas lojas” (SSS) decepcionaram os analistas, que esperavam uma reação mais vigorosa. A ação caiu acompanhando o mau humor geral do setor.
O que esperar agora?
O sentimento unânime entre bancos como Itaú BBA, BTG e XP Investimentos é de cautela extrema. Com o endividamento das famílias ainda elevado e a competição acirrada, o varejo brasileiro parece estar em uma encruzilhada. O foco agora se volta para a Copa do Mundo, que pode trazer um fôlego extra para as vendas de eletrônicos no segundo semestre, mas, por enquanto, o clima na Faria Lima é de pura apreensão.
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