PIB registra crescimento de 0,1% em abril, aponta prévia da FGV

Estimativa da Fundação Getulio Vargas indica estabilidade da atividade econômica mesmo diante dos juros elevados e da alta do petróleo. O avanço foi de 1,8% na comparação com abril do ano passado.

A economia brasileira apresentou crescimento de 0,1% entre março e abril, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Monitor do PIB, estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Na comparação com abril de 2025, a expansão foi de 1,8%.

O levantamento reúne informações dos setores da indústria, comércio, serviços e agropecuária para acompanhar a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a produção de bens e serviços no país.

No trimestre móvel encerrado em abril, composto pelos meses de fevereiro, março e abril, a atividade econômica avançou 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o acumulado dos últimos 12 meses registrou crescimento de 2%.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, a economista Juliana Trece, o resultado sinaliza uma economia estável, apesar dos desafios internos e externos. Segundo ela, a maior parte dos segmentos analisados apresentou desempenho positivo, demonstrando resiliência diante do cenário de juros elevados e da valorização do petróleo no mercado internacional.

Impacto dos juros e do petróleo

Durante quase todo o mês de abril, a Taxa Selic permaneceu em 14,75% ao ano. O nível elevado dos juros faz parte da estratégia do Banco Central para controlar a inflação, reduzindo o ritmo do consumo e ajudando a conter a pressão sobre os preços.

No fim de abril, a autoridade monetária reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual. O mesmo movimento foi repetido na quarta-feira (17), quando a Selic passou para 14,25% ao ano.

O ambiente externo também influenciou as decisões de política monetária. A guerra no Oriente Médio contribuiu para a alta do preço internacional do petróleo, elevando os custos de combustíveis como gasolina e diesel. Para amenizar os impactos, o governo federal adotou medidas como redução de tributos e subsídios direcionados ao setor de combustíveis.

Desempenho dos setores

O consumo das famílias foi um dos destaques do período, com crescimento de 2,6% no trimestre móvel encerrado em abril, na comparação anual. Segundo a FGV, esse foi o melhor resultado desde o trimestre concluído em fevereiro de 2025.

As exportações cresceram 9,3%, impulsionadas principalmente pela indústria extrativa. O segmento registrou avanço de 27,8% no período analisado e respondeu por cerca de 60% da expansão das vendas externas.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos realizados na economia, como aquisição de máquinas e equipamentos, avançou 0,7%. O resultado interrompe uma sequência de quatro trimestres móveis consecutivos de retração.

O estudo também estima que a taxa de investimento da economia alcançou 18% em abril. Em valores correntes, o PIB acumulado no ano até o mês foi calculado em R$ 4,376 trilhões.

Indicadores e próximos resultados

O Monitor do PIB é considerado uma referência para acompanhar a atividade econômica brasileira. Outro indicador amplamente observado é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apontou crescimento de 0,5% entre março e abril e avanço de 1,6% em 12 meses.

O resultado oficial do PIB brasileiro é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro trimestre de 2026, a economia registrou expansão de 1,1%. A próxima divulgação está prevista para 1º de setembro, quando serão apresentados os dados do segundo trimestre do ano.

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