WhatsApp e redes sociais ganham espaço, mas lojas físicas ainda concentram maioria das vendas no Brasil

Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que canais digitais são amplamente utilizados pelos empresários, mas ainda enfrentam desafios para se consolidar como principais motores de vendas

O WhatsApp e as redes sociais já fazem parte da rotina da maioria das empresas brasileiras. Seja para divulgar promoções, atender clientes ou fortalecer relacionamentos, essas ferramentas se tornaram indispensáveis no dia a dia dos negócios. No entanto, quando o assunto é efetivar vendas, o ambiente digital ainda ocupa um papel secundário para grande parte dos empreendedores.

É o que revela a pesquisa “Gestão e Confiança do Empresário”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. O levantamento aponta que 42% das empresas utilizam o WhatsApp como canal de vendas e 32% comercializam produtos ou serviços por meio das redes sociais. Apesar disso, o canal físico continua sendo o principal responsável pelo faturamento, concentrando 60% das vendas realizadas.

Os dados mostram que a presença digital está consolidada, mas ainda longe de substituir a força das lojas físicas na jornada de compra dos consumidores.

Presença online nem sempre significa estratégia digital

Embora o uso das plataformas digitais seja cada vez mais comum, a pesquisa sugere que muitas empresas ainda operam esses canais de forma pouco estruturada.

Em boa parte dos negócios, WhatsApp e redes sociais funcionam como ferramentas de apoio. São utilizados para responder dúvidas, receber pedidos ocasionais, divulgar ofertas e manter contato com clientes já conhecidos. No entanto, poucos estabelecimentos contam com processos integrados que conectem estoque, pagamentos, logística e atendimento.

Essa realidade ajuda a explicar outro dado levantado pelo estudo: apenas 5% das empresas utilizam sites próprios como canal de vendas. O número revela que, para muitos empreendedores, a digitalização ainda acontece de forma parcial e sem planejamento estratégico de longo prazo.

Canal físico ganha força novamente

Outro aspecto observado pela pesquisa é que, em comparação com o ano anterior, houve crescimento da participação das vendas presenciais e retração do comércio online.

Especialistas apontam que esse movimento pode estar relacionado à dificuldade de manter resultados consistentes no ambiente digital sem investimento contínuo em tecnologia, divulgação e profissionalização das operações.

Para muitas empresas, os canais digitais funcionam enquanto complemento das vendas presenciais. Porém, quando o fluxo de clientes na loja física diminui, a falta de estrutura online acaba limitando a capacidade de compensar essa queda.

Investimento em divulgação ainda é baixo

O levantamento também identificou um cenário de baixo investimento em mídia paga por parte dos empresários brasileiros.

Segundo os dados, apenas 41% das empresas investem em anúncios ou ações patrocinadas para atrair clientes. A maioria, 59%, não realiza qualquer tipo de investimento em divulgação paga.

Entre os empresários que anunciam, o valor médio mensal destinado à publicidade caiu para R$ 471, representando uma redução significativa em relação ao ano anterior.

Sem estratégias de alcance patrocinado, WhatsApp e redes sociais acabam limitados ao público que já conhece a empresa, reduzindo o potencial de expansão da base de clientes.

Desafio é transformar canais digitais em fontes reais de faturamento

A pesquisa reforça que estar presente nas redes sociais ou utilizar aplicativos de mensagens já não é suficiente para garantir bons resultados comerciais.

Especialistas destacam que o verdadeiro desafio está em transformar esses canais em ferramentas estruturadas de vendas, com metas definidas, acompanhamento de indicadores, integração tecnológica e estratégias voltadas à aquisição de novos consumidores.

O cenário apontado pelo levantamento é de transição. Os empresários reconhecem a importância do ambiente digital e já utilizam essas ferramentas no cotidiano dos negócios. Entretanto, ainda existe um longo caminho para que esses canais deixem de ser apenas instrumentos de apoio e passem a ocupar posição estratégica na geração de receitas.

Em um mercado cada vez mais conectado e com consumidores transitando entre o físico e o digital, a capacidade de integrar os diferentes canais de venda pode ser determinante para o crescimento e a competitividade das empresas nos próximos anos.

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