O isolamento da zona rural e as circunstâncias de uma suposta emboscada mobilizaram o aparato investigativo no extremo noroeste do estado. VALDEMIR APARECIDO LOPES, de 38 anos, foi assassinado com um tiro na região da cabeça no final da tarde de sexta-feira (19 de junho), no interior de uma propriedade agrícola situada na Linha Muriru, no município de Cotriguaçu, a aproximadamente 950 quilômetros da capital, Cuiabá.
A dinâmica inicial do crime, levantada pelo boletim de ocorrência da Polícia Militar, aponta que o homicídio ocorreu no momento exato em que a vítima e outro trabalhador rural encerravam o expediente no campo e se deslocavam em direção às suas motocicletas para retornar para casa. O executor teria se abrigado em uma área de mata fechada adjacente a uma cerca perimetral para aguardar a passagem dos operários.
Testemunha ouviu disparo vindo do escuro e buscou socorro em fazenda vizinha
Em depoimento preliminar colhido pelos policiais, uma testemunha que trabalhava na propriedade relatou que estava fechando uma das cercas do pasto, por volta das 18h40, quando foi surpreendida pelo estampido forte do disparo de arma de fogo, projetado de um ponto de total escuridão na mata. Assustada diante do perigo iminente, a testemunha abandonou as ferramentas de manejo e correu para se abrigar em uma fazenda vizinha, onde utilizou o sinal de internet para reportar o atentado às forças policiais.
Uma guarnição do destacamento da Polícia Militar de Cotriguaçu deslocou-se até a localidade indicada. Ao realizarem a varredura na cena do crime, os militares encontraram Valdemir caído ao chão, ao lado de sua motocicleta, já sem os sinais vitais. O ferimento na cabeça apresentava características típicas de perfuração por projétil de arma de fogo de cano longo.
Politec de Juína realiza perícia de campo e investigações avançam na região
O perímetro do crime de homicídio foi devidamente isolado pela PM para resguardar as evidências físicas até a chegada da equipe multidisciplinar. A Delegacia da Polícia Civil de Cotriguaçu foi formalmente notificada e acionou os peritos criminais e legistas da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec-MT) da cidade polo de Juína, que assumiram a responsabilidade pela remoção do corpo e pela realização dos exames de necropsia.
Os agentes do Setor de Investigações Gerais (SIG) iniciaram as oitivas de familiares e de trabalhadores da região para mapear a rotina da vítima e descobrir se Valdemir vinha sofrendo ameaças de morte ou se possuía desavenças fundiárias e trabalhistas na localidade. Até o momento, nenhum suspeito da autoria do crime foi localizado em Mato Grosso.
Reportagem baseada em relatórios de isolamento de local de crime do destacamento de Cotriguaçu, termos de declaração de testemunhas da PJC-MT e ordens de necropsia da Politec de Juína.
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