Polícia Militar de São Paulo oficializa transferência para reserva em caso de feminicídio envolvendo tenente-coronel preso

A Polícia Militar de São Paulo formalizou a transferência para a reserva do tenente-coronel acusado de feminicídio e fraude processual. O oficial está preso preventivamente desde março e o caso segue sob investigação judicial.

A Polícia Militar de São Paulo publicou o despacho que confirma a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio da soldado Gisele Alves Santana e também por fraude processual. Na prática, a medida corresponde à aposentadoria dentro da estrutura militar.

O oficial permanece preso preventivamente desde 18 de março. A decisão já havia sido anunciada anteriormente em portaria, mas foi oficialmente publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta terça-feira (9), com assinatura do diretor de Inatividade e Pensão Militar.

Com o ato formalizado, o tenente-coronel passa oficialmente para a reserva da corporação. A defesa da família da vítima criticou a rapidez da decisão administrativa e levantou questionamentos sobre os efeitos práticos da medida enquanto o processo judicial segue em andamento.

Segundo o advogado que representa a família da soldado Gisele, a aposentadoria não deve interferir na tramitação de procedimentos disciplinares internos. Ele afirmou ainda que considera inadequado o recebimento de valores enquanto o caso ainda é investigado e julgado pelas autoridades competentes.

Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel e foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde viviam na capital paulista. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio após relato feito pelo próprio oficial às autoridades.

Posteriormente, o registro passou a ser tratado como morte suspeita. Laudos do Instituto Médico Legal indicaram sinais de agressão incompatíveis com a hipótese de suicídio, o que reforçou a contestação apresentada pela família desde o início da investigação.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que a transferência para a reserva ocorreu conforme a legislação vigente e não impede eventual responsabilização penal ou disciplinar. A corporação destacou ainda que o vínculo financeiro do oficial passa a ser administrado pelo regime previdenciário estadual.

A instituição também informou que eventuais perdas de remuneração ou patente dependem de decisão definitiva da Justiça Militar, além da continuidade dos procedimentos internos e judiciais em andamento, incluindo inquéritos já concluídos e encaminhados ao Poder Judiciário.

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