INSS: relatório da CPMI pede indiciamento de 216 envolvidos em esquema

Documento final da comissão aponta participação de políticos, empresários e servidores em suposto esquema de descontos indevidos em benefícios.

O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recomenda o indiciamento de 216 pessoas por suspeita de participação em um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O documento, com mais de 4 mil páginas, começou a ser apresentado nesta sexta-feira (27).

Entre os citados estão empresários, ex-dirigentes do INSS, parlamentares e ex-ministros. O relatório foi elaborado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar a prorrogação dos trabalhos da comissão no dia anterior.

De acordo com a condução dos trabalhos, após a leitura do relatório foi aberto prazo para análise dos integrantes da comissão. Em seguida, o texto deve ser submetido à votação, com possibilidade de apresentação de um relatório alternativo por parlamentares da base governista.

Os indiciamentos não significam condenação automática. Para que os citados se tornem réus, é necessário que o Ministério Público apresente denúncia formal e que ela seja aceita pela Justiça.

Principais nomes citados

O relatório aponta como principal articulador do esquema Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Também foram incluídos sua esposa e seu filho. O empresário Maurício Camisotti aparece como operador financeiro do esquema.

Entre os nomes listados estão ainda ex-ministros da Previdência, ex-presidentes do INSS, servidores públicos e dirigentes de entidades. Parlamentares federais e estaduais também foram incluídos na lista de indiciamentos.

O documento cita ainda executivos de instituições financeiras e representantes de entidades do setor agrícola e pesqueiro. Entre os investigados também está o empresário Fábio Luís Lula da Silva, apontado como possível beneficiário de repasses ligados ao esquema.

Crimes investigados

Os indiciamentos abrangem uma série de crimes, como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude eletrônica, falsidade ideológica e peculato, entre outros. As acusações envolvem ainda práticas como inserção de dados falsos em sistemas, violação de sigilo funcional e gestão fraudulenta.

A comissão concluiu que o esquema teria operado por meio de descontos irregulares em benefícios previdenciários, afetando aposentados e pensionistas em todo o país.

A defesa dos citados ainda pode se manifestar sobre as conclusões apresentadas no relatório.

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