Indígenas esperam celeridade em demarcações durante encontro com Lula

Líderes indígenas se preparam para encontros e marchas em Brasília, buscando avanços na demarcação de terras e proteção às comunidades.

Mais de seis mil participantes de todo o país se reúnem em Brasília para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre, esperando a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é dialogar sobre a necessidade de acelerar a demarcação de terras indígenas no Brasil.

Segundo Kleber Karipuna, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), há negociações em andamento para que Lula participe do evento. O encontro pretende esclarecer quais ações o governo pretende implementar ainda este ano.

O movimento indígena aguarda anúncios importantes, principalmente sobre demarcações e medidas de proteção às comunidades. Antes da COP30, a Apib apresentou ao governo federal um documento com fundamentos técnico, jurídico e administrativo de 107 terras indígenas aptas à regularização.

Karipuna destaca que o Brasil precisa assumir compromisso com 58 milhões de hectares nos próximos cinco anos. Nos últimos quatro anos, houve homologação de apenas 20 terras, um avanço considerado insuficiente diante do histórico de demandas.

Violência

Luana Kayngang, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpin-Sul), alerta que a violência contra mulheres indígenas preocupa as comunidades, deixando-as vulneráveis a ataques externos às aldeias.

Paulo Tupinambá, coordenador da articulação dos povos do Nordeste e de Minas Gerais, informou que todas as delegações custearam o transporte para Brasília de forma independente, sem recursos públicos.

Marchas

Estão previstas duas marchas a partir do Acampamento Terra Livre até a Praça dos Três Poderes. A primeira ocorre na terça-feira (7) às 9h, com a presença de representantes do governo e parlamentares, incluindo a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).

Kleber Karipuna explica que os protestos buscam colaborar com o governo para avançar nas pautas indígenas. Os indígenas reivindicam desintrusões e pleno usufruto de suas regiões ainda este ano.

A segunda marcha será na quinta-feira (9) às 14h, com o tema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. A Apib destaca que 76 Terras Indígenas estão prontas para homologação, dependendo apenas da assinatura presidencial, enquanto outras 34 aguardam portaria do Ministério da Justiça.

Nova política

O Ministério dos Povos Indígenas destacou que, desde a criação da pasta em 2023, indígenas ocupam cargos estratégicos e decisórios, rompendo com décadas de visão tutelar. As ações recentes visam recuperar direitos e políticas desmanteladas anteriormente.

Entre os avanços, o governo registra a homologação de 20 territórios indígenas, totalizando 2,2 milhões de hectares.

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