O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que grupos econômicos têm atuado para dificultar políticas públicas do governo federal em duas frentes principais: a implementação do programa de crédito Move Brasil e a tramitação da proposta que busca encerrar a jornada de trabalho conhecida como escala 6 por 1.
As declarações foram feitas durante participação no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
No caso do Move Brasil, iniciativa federal voltada à facilitação da compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativos, o ministro afirmou que há resistência por parte de instituições financeiras na concessão de crédito, mesmo para trabalhadores com nome limpo.
Boulos relatou que uma parcela significativa dos pedidos de financiamento tem sido recusada sem justificativas consistentes, apesar da existência de um fundo garantidor do governo.
Segundo o ministro, bancos estariam utilizando critérios como score e avaliação de risco para negar operações que, na avaliação do governo, deveriam ser aprovadas dentro das regras do programa.
Ele também criticou a cobrança de taxas adicionais para acesso às linhas de crédito e orientou que trabalhadores não aceitem cobranças que não estejam previstas.
Outro ponto destacado foi a falta de integração entre sistemas bancários e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela operação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões destinada ao programa.
Segundo o ministro, essa falha tem impedido a conclusão de contratos mesmo após aprovação inicial dos financiamentos.
Boulos afirmou que o governo federal deve convocar instituições financeiras para corrigir os problemas identificados e garantir a execução adequada do programa.
Em outra frente, o ministro criticou a atuação de setores empresariais e lideranças políticas no Senado Federal pela resistência à proposta que prevê o fim da escala 6 por 1.
Ele afirmou que a medida conta com apoio de parte significativa da população e que sua tramitação estaria sendo retardada por pressões de grupos econômicos.
Para Boulos, a mudança na jornada de trabalho representa uma melhoria nas condições de vida dos trabalhadores, com mais tempo de descanso e convivência familiar.
O ministro também acusou entidades empresariais de disseminarem argumentos contrários à proposta, como impacto negativo na economia e aumento de preços, o que ele contesta com base em estudos sobre o tema.
Segundo ele, o governo seguirá defendendo as duas pautas e atuando para superar os entraves institucionais e políticos identificados.
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