Antifacção avança com críticas por possível enfraquecimento de órgãos federais

Fernando Haddad alertou que o texto aprovado pela Câmara pode reduzir a efetividade de instituições que atuam contra o crime organizado.

O projeto Antifacção aprovado pela Câmara gerou forte reação no governo, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmando que a versão atual contraria o objetivo de fortalecer o combate ao crime organizado e pode fragilizar órgãos federais como a Polícia Federal e a Receita Federal.

Haddad criticou a forma como o texto foi votado, destacando que especialistas e instituições não foram ouvidos. Segundo ele, a proposta cria brechas que podem favorecer organizações criminosas e comprometer operações em andamento.

O ministro alertou que a redistribuição dos bens confiscados reduz recursos destinados a fundos essenciais, como o Funad e o Funapol, afetando também o trabalho aduaneiro da Receita Federal. Para ele, a mudança beneficia líderes de facções ao enfraquecer a capacidade financeira e operacional das forças federais.

Haddad ainda apontou que o texto abre espaço para argumentos jurídicos capazes de anular investigações, citando operações sobre lavagem de dinheiro, fraudes bancárias e a máfia do combustível.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também avaliou que o texto aprovado gera insegurança jurídica e reduz a efetividade das ações contra o crime.

Reações da Polícia Federal

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal reconheceu pontos positivos, mas destacou retrocessos, especialmente na retirada do Funapol como destino dos bens apreendidos. A entidade pediu que o Senado conduza um debate técnico e sem interferências políticas.

Defesa do relator

O relator Guilherme Derrite rejeitou as críticas e afirmou que o projeto encara o crime organizado com base na realidade. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também celebrou a aprovação, argumentando que o texto endurece penas e fortalece a asfixia financeira das facções.

Pontos centrais do texto

A Câmara aprovou o texto-base por ampla maioria, e a matéria segue para análise do Senado. A proposta estabelece um novo marco para o enfrentamento às facções, com penas mais rígidas, novas regras de bloqueio de bens e redistribuição das verbas obtidas com apreensões.

No modelo aprovado, bens de operações estaduais passam a reforçar fundos estaduais de segurança, enquanto, em ações com participação da Polícia Federal, os valores irão para o Fundo Nacional de Segurança Pública. O governo alerta que a medida retira recursos de fundos federais estratégicos.

O projeto também amplia o bloqueio de bens — inclusive criptomoedas — ainda na fase de investigação e proíbe benefícios como anistia, indulto e liberdade condicional para integrantes de organizações criminosas. Uma proposta para equiparar facções ao terrorismo foi rejeitada.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.