As corregedorias da segurança pública e a polícia judiciária civil acompanham um caso sensível envolvendo uma alta patente das forças de segurança do estado. A Polícia Civil instaurou um inquérito policial para investigar um tenente-coronel da Polícia Militar de Mato Grosso por suspeita de perseguição (crime de stalking), injúria e chantagem contra uma jovem de 20 anos. Segundo a denúncia formalizada pela vítima, o oficial superior, cuja identidade é mantida sob sigilo legal, exigia o envio de fotos e vídeos íntimos sob a ameaça constante de expor a vida pessoal da jovem.
O caso, que tramita sob segredo de Justiça devido à natureza dos crimes, foi revelado nacionalmente pelo portal Metrópoles na última sexta-feira (3). Conforme os relatos que constam nos autos, a vítima e o militar mantiveram um relacionamento afetivo casual por cerca de oito meses, compreendendo o período entre outubro de 2025 e junho de 2026.
Policial militar exigiu gravação de vídeo íntimo após crise de ciúmes
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela vítima, as intimidações e o cerco psicológico tiveram início no dia 23 de junho. O estopim teria sido o momento em que o policial militar descobriu que a jovem havia se envolvido afetivamente com outro homem durante o período em que eles mantinham os encontros casuais. Ainda conforme o registro policial, agindo de forma impositiva, o investigado exigiu que ela gravasse e enviasse imediatamente um vídeo íntimo.
Segundo a denúncia entregue aos investigadores da Polícia Civil, diante da recusa firme da vítima em ceder à violência psicológica, o oficial passou a chantageá-la. Ele ameaçou revelar o envolvimento extraconjugal aos pais da jovem e também à esposa do terceiro homem envolvido — promessa de retaliação que, segundo a queixa-crime, teria sido cumprida pelo militar poucas horas depois.
Suspeito utilizou descrições de Pix para burlar bloqueios virtuais
Na tentativa de interromper o fluxo de assédio e resguardar sua integridade mental, a jovem bloqueou os perfis do militar nas redes sociais e em seus aplicativos de mensagens instantâneas. No entanto, conforme apurado no boletim de ocorrência, o suspeito refinou as táticas de importunação e passou a utilizar diferentes números de telefone de operadoras variadas.
Além disso, o tenente-coronel utilizou um artifício financeiro digital para manter o assédio: ele realizou consecutivas transferências bancárias de valores irrisórios via Pix para a conta da vítima. O objetivo era utilizar o campo de descrição dos pagamentos bancários para injetar mensagens de teor ofensivo, difamatório e intimidatório que ela não podia bloquear sem desativar a própria chave de recebimento.
Os principais crimes e as condutas investigadas pela Polícia Civil na apuração contra o oficial foram divididos na listagem abaixo:
- Perseguição (Stalking): Configurada pela obsessão em contatar a vítima por múltiplos canais, ferindo sua liberdade e privacidade;
- Chantagem e Extorsão: Exigência de material de cunho sexual mediante a promessa de causar dano à reputação e ao ambiente familiar da jovem;
- Injúria e Difamação: Envio de termos ofensivos e exposição de fatos íntimos para terceiros com o intuito de humilhar a denunciante;
- Apuratórias de Conduta Militar: Paralelamente à Polícia Civil, o caso deve ser remetido à Corregedoria da PM para avaliar o uso do cargo para coação.
Conduta de oficial superior é apurada em inquérito sigiloso
As investigações penais seguem concentradas na Polícia Civil, que realiza a coleta de provas digitais, incluindo os prints das descrições dos Pix recebidos e o histórico de ligações dos números alternativos utilizados pelo suspeito. O oficial poderá responder nas esferas civil e militar, a depender dos desdobramentos técnicos.
O resumo dos parâmetros estruturais e do andamento do caso de perseguição foi consolidado na tabela analítica abaixo:
| Elemento de Controle | Dados Extraídos do Boletim de Ocorrência | Status e Procedimento de Investigação |
|---|---|---|
| Investigado | Tenente-coronel da Polícia Militar (Identidade preservada). | Alvo de inquérito civil; passível de PAD na Corregedoria. |
| Vítima da Ação | Jovem de 20 anos de idade (Ex-namorada casual). | Acolhida por órgãos de proteção e assistência psicológica. |
| Meios de Coação | Ameaças verbais, troca de chips e mensagens em descrição de Pix. | Aparelhos e extratos bancários passam por auditoria digital. |
| Tipificações em Análise | Perseguição (Stalking), injúria, difamação e chantagem. | PJC colhe depoimentos antes de relatar o caso ao Judiciário. |
Os advogados da vítima buscam a concessão de medidas protetivas de urgência para impedir que o militar se aproxime fisicamente ou continue efetuando qualquer tipo de transação bancária ou contato eletrônico com a jovem. Outras atualizações sobre investigações de crimes cibernéticos, atuação das delegacias da mulher e decisões de corregedorias de segurança no estado podem ser conferidas diretamente na cobertura de polícia de Mato Grosso.
Reportagem baseada em registros de boletins de ocorrência por crimes virtuais, denúncias de assédio digital publicadas pelo portal Metrópoles e protocolos de investigação de violência contra a mulher da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso.
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