Como garantir atendimento de urgência eficiente diante de mudanças estruturais drásticas? Esta é a pergunta que mobiliza a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após uma série de decisões que colocam em xeque a operação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O deputado estadual Dr. João (MDB), membro da Comissão de Saúde, intensificou as articulações para tentar mediar o impasse. O parlamentar busca uma audiência emergencial com o governador em exercício, Otaviano Pivetta, ainda nesta quarta-feira (15), para discutir o risco de colapso no serviço após a demissão em massa de profissionais técnicos.
Exonerações e o debate sobre a “militarização”
A crise ganhou contornos críticos após o anúncio da exoneração de 56 servidores contratados, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores-socorristas. A medida faz parte de um plano da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para transferir parte das competências de atendimento pré-hospitalar para o Corpo de Bombeiros.
Dr. João expressou preocupação com o que chamou de possível “militarização” de um serviço que é essencialmente técnico-médico. “O Samu possui uma atuação especializada e um protocolo de atendimento consolidado que não deve ser descaracterizado. Respeitamos os Bombeiros, mas são naturezas de serviço distintas”, alertou o deputado.
Impacto operacional em Cuiabá e Várzea Grande
Relatos colhidos junto às bases operacionais indicam que o impacto das demissões já é sentido nas ruas. Em Cuiabá e Várzea Grande, unidades de suporte e motolâncias estariam paradas por falta de pessoal, o que aumenta o tempo de resposta em ocorrências de infartos, acidentes de trânsito e traumas graves — situações onde cada minuto é decisivo para a sobrevivência.
Os principais pontos de tensão no debate atual incluem:
- Continuidade do Serviço: Risco de desassistência em áreas de alta densidade populacional;
- Especialização: Diferença entre o atendimento de resgate (Bombeiros) e o suporte avançado de vida (Samu);
- Segurança Jurídica: A situação dos servidores contratados e a transição para novos modelos de gestão.
Convocação do Secretário de Saúde
Diante da gravidade dos fatos, a Comissão de Saúde da ALMT aprovou a convocação do secretário estadual de Saúde para prestar esclarecimentos detalhados na próxima quarta-feira (22). Os parlamentares querem entender o planejamento financeiro e técnico que sustenta a reestruturação e como o governo pretende suprir a ausência dos 56 profissionais exonerados sem prejudicar a ponta do atendimento.
O objetivo da Assembleia é buscar um meio-termo que modernize o sistema sem descartar o capital humano qualificado que opera o Samu há anos no estado.
Reportagem baseada em informações oficiais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e comunicados da Comissão de Saúde.
Saúde Coletiva: A integração entre Samu e Bombeiros já ocorre em alguns estados, mas a substituição total de equipes civis por militares é um tema sensível. Você acredita que o atendimento de urgência ganha em agilidade com o comando militar ou a autonomia técnica de enfermeiros e médicos civis é o que garante a qualidade do serviço?
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