A escolha dos profissionais de saúde como o primeiro grupo a receber a vacina nacional contra a dengue em Mato Grosso não é por acaso: trata-se de uma estratégia para proteger a “porta de entrada” do sistema público. Ao todo, 23,3 mil trabalhadores da atenção primária no estado devem ser imunizados, garantindo que as equipes que realizam visitas domiciliares e o atendimento inicial nas unidades básicas continuem operando sem o risco de desfalques causados pela doença.
O Ministério da Saúde justifica essa prioridade pelo papel central que esses profissionais desempenham no combate ao mosquito Aedes aegypti. Médicos, enfermeiros, agentes comunitários, motoristas de ambulância e até equipes de limpeza e segurança estão diariamente expostos ao vírus enquanto monitoram focos de reprodução e prestam assistência direta a pacientes infectados. Protegê-los significa manter a estrutura do SUS resiliente durante os períodos de maior incidência da enfermidade.
Para essa missão, o governo federal aposta na vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é um marco para a ciência brasileira por ser 100% nacional, tetraviral (protege contra os quatro sorotipos da dengue) e, principalmente, por exigir apenas uma dose. Essa característica facilita a logística de vacinação e acelera a imunização das equipes multiprofissionais, que já receberam mais de 10 mil doses na primeira remessa enviada ao estado.
A expectativa é que, conforme a produção do Butantan ganhe escala, o público geral entre 15 e 59 anos comece a ser vacinado a partir do segundo semestre deste ano. Por enquanto, o foco permanece em quem cuida da população e nos adolescentes de 10 a 14 anos, que continuam sendo atendidos pelo imunizante japonês de duas doses disponível na rede pública. Com um investimento de R$ 368 milhões para a compra de toda a produção nacional disponível, o Brasil busca consolidar sua autonomia na produção de vacinas e reduzir drasticamente os casos graves da doença.
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