A Secretaria de Fazenda (Semfaz) de Sorriso deu início, nesta quinta-feira (2), a uma rodada estratégica de 15 encontros semanais voltados à capacitação de sua equipe técnica para a transição da Reforma Tributária (RT).
Os treinamentos, divididos em seis blocos temáticos e conduzidos de forma online para não afetar a rotina de atendimento, contam com a consultoria especializada da empresa ROIT.
A primeira sessão revisou os fundamentos constitucionais e legais das mudanças. A pressa do município tem justificativa contábil: as regras da Emenda Constitucional nº 132/2023 preveem que o bolo de arrecadação das cidades pelas próximas décadas será calculado com base na eficiência fiscal demonstrada entre 2019 e 2026.
O fantasma das perdas para o agronegócio
Com a mudança do modelo de tributação da produção (onde o produto é gerado) para o consumo (onde o produto é comprado/consumido), estados e municípios produtores tendem a sofrer fortes impactos financeiros.
O secretário de Fazenda de Sorriso, Tedy Puva, alertou que a projeção inicial aponta que o estado de Mato Grosso perderá um volume expressivo de recursos com o novo sistema de arrecadação. Por ser a capital nacional do agronegócio, Sorriso está diretamente inserida nesse cenário de risco e precisa correr para mitigar os danos.
Inteligência fiscal e tecnologia contra prejuízos até 2077
Para assegurar que o município não perca receita de referência no cálculo federal, a Prefeitura está aplicando um pacote de monitoramento tecnológico e cruzamento de dados para identificar falhas fiscais antes do fechamento do prazo em dezembro. As principais medidas incluem:
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Olho digital no espaço: Atualização cadastral imobiliária utilizando mapeamento de alta precisão por imagens de drone.
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Malha fina municipal: Uso de inteligência de dados para confrontar divergências entre declarações fiscais e operações reais de empresas.
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Pente-fino retroativo: Revisão de exercícios anteriores para recuperar receitas que deixaram de ser arrecadadas.
⚠️ Alerta Orçamentário: “Cada inconsistência não corrigida, cada valor não arrecadado dentro desse intervalo [2019-2026], impacta diretamente a capacidade de investimento do Município por décadas. Estamos falando de um efeito que se estende até 2077”, enfatizou o consultor Gelson Severo.
Cronograma da Transição: O que esperar?
O modelo atual do ISS (municipal) e ICMS (estadual) será extinto para dar lugar ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), gerido por um Comitê Gestor unificado. A transição seguirá as seguintes etapas chaves:
| Ano / Período | Etapa da Reforma Tributária |
| 2026 | Fase atual de adaptação operacional e consolidação de dados históricos. |
| 2027 | Entrada em vigor da CBS (federal) substituindo PIS e Cofins. |
| 2029 a 2032 | Transição progressiva do IBS, com redução gradual do ICMS e ISS. |
| 2033 | Implantação plena do novo sistema tributário. |
| 2029 a 2077 | Transição federativa longa, com modelo híbrido de distribuição aos municípios. |
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