Os agricultores familiares do Assentamento Jonas Pinheiro ganharam um aliado estratégico para reverter o passivo ambiental de suas terras e ingressar no mercado de créditos e financiamentos agrícolas.
Foi apresentado nesta quarta-feira (3 de junho) o projeto “Construindo Bases para a Resiliência Ecológica dos Agricultores Familiares”.
Desenvolvida na Escola Municipal Matilde Luiza Zanatta Gomes, a iniciativa foca na recuperação de áreas degradadas da comunidade por meio do plantio de espécies nativas.
O projeto conta com o suporte institucional da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA), da Secretaria Municipal de Educação (Semel) e de lideranças da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais do Vale do Celeste (Coopercel).
Regularização do CAR e fomento econômico
O ponto central da proposta é fornecer as ferramentas para que os assentados cumpram as exigências do Código Florestal Brasileiro, que determina que cada propriedade rural mantenha uma reserva legal preservada. A ação vai capitanear a logística de manejo e a entrega das plantas:
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Meta de Distribuição: Cerca de 25 mil mudas de árvores nativas serão entregues aos produtores;
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Variedades Selecionadas: O viveiro local produziu mudas de espécies adaptadas ao bioma, como fava-arara, aroeira-do-campo, louro-branco, pinha-nativa, jatobá e pinho-cuiabano.
De acordo com o secretário da SAMA, Clóvis Picolo Filho, a restauração da cobertura vegetal é o único caminho para que os pequenos produtores consigam emitir ou regularizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR). “Sem essa área de recuo ambiental recuperada, o colono fica impedido de acessar linhas de crédito bancário, obter o título definitivo do lote ou vender sua produção de forma oficial para grandes redes e programas governamentais”, detalhou o secretário.
O agricultor Márcio Manoel da Silva, um dos pioneiros na fundação do assentamento, ratificou a importância do programa para a sobrevivência econômica das famílias. Segundo ele, o acesso gratuito às mudas elimina o custo financeiro que inviabilizava a adequação ambiental de dezenas de lotes.
De um sonho escolar ao reconhecimento nacional
A estrutura do projeto nasceu do planejamento de longo prazo da professora Ilzeny Rodrigues, que leciona há dez anos na Escola Matilde e idealizava a construção de uma grande estufa tecnológica para integrar alunos e comunidade. A virada de chave ocorreu após uma parceria de pesquisa com a professora Joyce Goblit, então docente de Sociologia do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) – Campus Sorriso.
Orientada por Joyce e auxiliada por Ana Catarina Tibaldi dos Reis (hoje secretária adjunta da Semasa), Ilzeny mapeou o passivo florestal do Jonas Pinheiro e inscreveu a proposta em um edital nacional do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). A proposta mato-grossense figurou na lista das nove selecionadas em todo o Brasil para receber o fomento financeiro.
A consolidação do trabalho de campo foi celebrada na sede da escola com a realização paralela da Feira do Produtor, organizada pelas mulheres do assentamento, marcando o início da entrega oficial das mudas que transformarão a paisagem produtiva da comunidade.
O alicerce do Fundo Ecos
O suporte financeiro e metodológico da ação é garantido pelo ISPN, uma organização da sociedade civil que atua desde 1990 na assessoria técnica e na documentação de pesquisas de conservação ambiental no país. Em 1994, o instituto foi chancelado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para gerenciar o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) focado no Cerrado brasileiro.
Por meio do Fundo Ecos — um braço independente de filantropia para a justiça socioambiental —, o ISPN estendeu seu raio de atuação para a Amazônia e a Caatinga, acumulando mais de mil projetos comunitários financiados em estados como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, sempre com foco em gerar renda mantendo a floresta em pé.
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