A capital mato-grossense se transformará no polo da arte milenar do barro neste fim de semana. O Festival Cerâmica do Mato será realizado nos dias 23 e 24 de maio, das 9h às 17h30, ocupando os jardins e pavilhões do Museu de História Natural de Mato Grosso, em Cuiabá. A programação especial, divulgada oficialmente pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), reúne feira de peças autorais, oficinas práticas, demonstrações técnicas e vivências tradicionais.
O evento celebra o Dia Internacional dos Museus e integra a 24ª Semana Nacional de Museus, uma iniciativa de mobilização nacional promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O objetivo principal é aproximar a população da rica cadeia produtiva da cerâmica regional, promovendo o intercâmbio e valorizando as estéticas desenvolvidas por artistas de Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Nossa Senhora do Livramento, Rondonópolis e Tangará da Serra. As oficinas gratuitas de Boi-à-Serra e Pinch Pot atraíram grande interesse e já estão com as inscrições totalmente preenchidas.
Demonstração de torno de modelagem e técnica oriental Rakú-Obvara
Durante os dois dias de imersão cultural, os visitantes poderão acompanhar de perto o processo de transformação da matéria-prima. Haverá demonstrações ao vivo de torno para modelagem de argila e exibições da milenar técnica Rakú-Obvara, um método de queima rápida que gera efeitos texturizados exclusivos e tons terrosos profundos na superfície das peças. A agenda reserva ainda atividades lúdicas abertas para crianças, jovens e adultos.
Além da comercialização de utilitários e esculturas decorativas, o festival assume um papel de salvaguarda da herança identitária dos povos originários e das comunidades ribeirinhas do estado. A proposta é democratizar o acesso às manifestações plásticas e fortalecer a geração de renda dos artesãos locais.
Museu funciona na histórica Casa Dom Aquino de 1842
O circuito cultural se completa com a oportunidade de visitar gratuitamente as galerias do Museu de História Natural de MT. O equipamento público é administrado pela Secel em parceria com o Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (Ecoss) e funciona na histórica Casa Dom Aquino, casarão construído em 1842 às margens do Rio Cuiabá e tombado como patrimônio histórico estadual.
O local é uma referência científica nacional em arqueologia e paleontologia, abrigando fósseis autênticos de animais pré-históricos e réplicas de dinossauros que habitaram Mato Grosso há milhões de anos, como o imponente Titanossauro e o Pycnonemosaurus nevesi, um grande carnívoro descoberto na região de Chapada dos Guimarães. O acervo conta ainda com a valiosa exposição “Materialidade, Morfologia e Riaia no Alto Xingu”, que exibe máscaras sagradas do povo Waurá doadas pela própria aldeia Piyulaga.
Segundo a museóloga e gestora de acervo Paula Andrade Coutinho, o tema deste ano da Semana Nacional de Museus, “Museus: unindo um mundo dividido”, reforça o papel social das instituições. “Nosso papel vai além da preservação do patrimônio. O museu também deve ser um ambiente de escuta ativa e valorização das memórias da população”, destacou a gestora em nota.
| Guia Prático do Festival | Informações Úteis ao Visitante |
|---|---|
| Data e Horário | 23 e 24 de maio, das 9h às 17h30 |
| Endereço do Local | Avenida Beira Rio, s/n – Casa Dom Aquino, Cuiabá (MT) |
| Custo de Entrada | Totalmente gratuita para todas as idades |
| Atendimento e Contato | Telefone de informações (65) 99686-7701 |
A realização de feiras artesanais dentro de casarões históricos ajuda a revitalizar a memória arquitetônica das cidades e cria uma ponte direta entre os artistas tradicionais do interior e o público consumidor dos grandes centros urbanos. Você acredita que a Secretaria de Cultura deveria descentralizar esses festivais de cerâmica e levá-los de forma itinerante para praças públicas de municípios populosos do interior, como Rondonópolis, Sinop e Tangará da Serra, ou concentrar os eventos na estrutura do Museu de História Natural em Cuiabá é melhor para garantir a segurança das peças e atrair o turismo especializado? Deixe sua opinião nos comentários.
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