O fortalecimento das estratégias de salvamento e a padronização das forças de socorro nacionais ganharam um importante reforço técnico na capital do estado. Conforme divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), a certificação nacional de cães de busca e resgate, finalizada nesta sexta-feira (19), aprovou 18 cães para atuação imediata em missões de alta complexidade em diferentes regiões do país.
A solenidade oficial marcou o encerramento da etapa Centro-Oeste da rigorosa avaliação técnica. O processo foi coordenado pela Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares (Ligabom), por meio do Comitê Nacional de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (Conabresc). A rodada de testes concentrou em Cuiabá 20 binômios — nomenclatura que designa o conjunto indissociável formado pelo bombeiro militar condutor e seu cão de faro —, representando delegações de sete estados brasileiros.
Simulações de cenários reais guiam os cinco dias de testes
A metodologia para a concessão da outorga operacional estendeu-se ao longo de cinco dias ininterruptos de exames práticos. Os binômios foram submetidos a simulações de cenários reais de desastres, projetadas para testar o limite de resistência, o foco e a autonomia dos animais e seus respectivos condutores em situações de estresse extremo.
As pistas de avaliação foram segmentadas em modalidades técnicas específicas, estruturadas para garantir o padrão internacional de resposta a desastres:
- Busca Urbana: Localização de vítimas soterradas sob escombros de estruturas colapsadas;
- Busca Rural e Varredura de Área: Varreduras em perímetros de vegetação densa e matas fechadas para localização de pessoas perdidas;
- Localização de Restos Mortais: Rastreamento de tecidos biológicos e cadáveres em superfícies ou subsolo;
- Testes de Odor Específico: Rastreamento direcionado de indivíduos a partir de uma peça de vestuário de referência.
O diretor operacional do CBMMT, coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, esclareceu que os critérios aplicados estabelecem uma linha de corte indispensável para o emprego seguro dos animais. Ele enalteceu o nível de disciplina dos condutores na manutenção diária das habilidades biológicas do canil.
Cães superam eficácia tecnológica em florestas e desastres
A relevância do faro canino na gestão de crises foi referendada pelo diretor-adjunto da Diretoria de Ensino, Instrução e Pesquisa do CBMMT, tenente-coronel BM Denys Douglas Dias de Sousa. O oficial pontuou que, a despeito do avanço substancial de ferramentas tecnológicas — como o mapeamento por drones termais e geolocalizadores —, o faro dos cães permanece como o recurso mais veloz e insubstituível para localizar sinais vitais em terrenos acidentados ou cobertos por densas copas de árvores.
Dos animais avaliados, 18 obtiveram a homologação oficial. Um dos principais destaques do mutirão técnico foi a performance da 2ª sargento Daiane da Rocha Ribeiro, condutora da cadela Maya. O binômio conquistou a chancela máxima em múltiplas frentes de busca, o que atesta a versatilidade do animal para operar em ecossistemas diversos. A militar ressaltou que o selo de aprovação coroa um ciclo de treinamento contínuo iniciado quando a cadela ainda era um filhote.
Processo técnico unifica doutrinas de salvamento sem fins competitivos
A governança do evento fez questão de enfatizar que o certame possui natureza estritamente homologatória, repelindo dinâmicas de competição esportiva. O chefe do Núcleo de Operações de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (Nobresc), major BM Anderson Rodrigo da Silva, asseverou que o foco absoluto é blindar a segurança das guarnições e garantir que cada dupla enviada a uma área de desastre apresente 100% de precisão em seus alertas de localização.
A chancela dos novos animais integra uma diretriz nacional de integração integrada do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais (CNCG), nivelando o treinamento tático e viabilizando o intercâmbio imediato de canis especializados de outros estados para dar suporte a grandes operações de calamidade pública em Mato Grosso.
Reportagem baseada em diários de avaliação do Conabresc, resoluções técnicas de exames da Ligabom e boletins operacionais de homologação de caninos emitidos pelo Nobresc-MT.
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