Uma operação de alta complexidade da Polícia Militar resultou no resgate de uma adolescente de 17 anos que era mantida em cárcere privado na noite desta terça-feira (14), em Cáceres. A vítima foi localizada amarrada e com sinais de agressão em uma residência no bairro Cavalhada 3, em Mato Grosso. Dois suspeitos foram presos em flagrante.
A intervenção contou com equipes do 6º Batalhão, Força Tática e do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que cercaram o imóvel após denúncias anônimas sobre gritos de socorro vindos do local.
Cárcere privado e ‘Tribunal do Crime’
De acordo com o boletim de ocorrência, a adolescente relatou ter sido atraída ao local por uma mulher sob o pretexto de uma conversa casual. Ao entrar na residência, foi rendida e passou a ser submetida a uma sessão de tortura física e psicológica. Os criminosos utilizavam chamadas de vídeo para reportar as agressões a líderes de uma facção criminosa, configurando a prática conhecida como “tribunal do crime”.
O objetivo dos agressores era obter informações sobre a localização de um suposto integrante de um grupo rival. Sob ameaças de morte, a jovem era pressionada a colaborar enquanto a cena era monitorada remotamente por outros membros da organização.
Ação policial e prisões
Com a chegada das viaturas, parte do grupo conseguiu fugir pelos fundos do imóvel, mas um homem e uma mulher foram detidos no interior da casa. No local, os policiais apreenderam:
- Celulares utilizados para a transmissão das agressões;
- Facas e outros objetos perfurocortantes;
- Mais de R$ 500 em espécie, de origem não comprovada.
Os suspeitos foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de Cáceres e devem responder por sequestro, cárcere privado e tortura. Segundo a Lei nº 9.455/1997, o crime de tortura é inafiançável e as penas podem ultrapassar oito anos de reclusão.
Combate às facções em Mato Grosso
Este caso reflete a modalidade de violência utilizada por facções para exercer controle territorial. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) tem intensificado o monitoramento dessas células criminosas através de ações integradas. A pronta resposta das equipes de elite da PM foi fundamental para evitar que a sessão de tortura terminasse em execução.
A Polícia Civil dará continuidade às investigações para identificar os participantes que fugiram e os mandantes que operavam a chamada de vídeo durante o crime.
Reportagem baseada em informações oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso e registro policial da Delegacia de Cáceres.
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