Subutilização atinge menor nível da história no Brasil em mercado de trabalho aquecido

Dados do IBGE mostram recuo histórico da subutilização no trimestre encerrado em maio, refletindo o avanço do mercado de trabalho no país.

O mercado de trabalho brasileiro segue em trajetória de fortalecimento e registrou um novo marco histórico. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, a subutilização da força de trabalho caiu para o menor nível já registrado no país.

No trimestre móvel encerrado em maio, a taxa ficou em 13,3%, abaixo do recorde anterior de 13,4% observado no fim de 2025. A série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, indica um cenário de recuperação contínua da ocupação no país.

A taxa de desocupação, também conhecida como desemprego, ficou em 5,6% no mesmo período. Já a subutilização considera não apenas os desempregados, mas também trabalhadores que atuam menos horas do que gostariam e pessoas na força de trabalho potencial.

Entenda o indicador

A subutilização mede o percentual de pessoas em idade de trabalhar que não estão plenamente inseridas no mercado, mas que têm disponibilidade ou interesse em ampliar sua participação.

O analista do IBGE, William Kratochwill, explica que o indicador reúne três grupos principais: desocupados que buscam trabalho, trabalhadores subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial, que inclui desalentados e pessoas disponíveis que não estão procurando emprego ativamente.

Desalentados são aqueles que desistiram de procurar emprego por acreditar que não encontrarão oportunidades adequadas, seja por falta de vagas, qualificação ou outras barreiras. Já os não desalentados são aqueles que desejam trabalhar, estão disponíveis, mas não buscam ativamente uma colocação ou não puderam assumir oportunidades recentes.

Queda expressiva no indicador

De acordo com o IBGE, o número de pessoas subutilizadas chegou a 15,1 milhões no trimestre encerrado em maio. Isso representa uma redução de 5,7% em relação ao trimestre anterior, com menos 920 mil pessoas nessa condição.

Em um ano, a queda é ainda mais significativa: cerca de 1,9 milhão de pessoas deixaram de compor esse grupo. O movimento reforça a redução do chamado “estoque de mão de obra ociosa” no país.

“O estoque de pessoas que podem ser absorvidas pelo mercado de trabalho está diminuindo cada vez mais”, afirmou Kratochwill.

O maior nível de subutilização da série ocorreu durante a pandemia de covid-19, quando atingiu 30,7% no trimestre encerrado em agosto de 2020. Antes da crise sanitária, o pico havia sido de 25% em maio de 2019.

Mercado mais aquecido

Para o IBGE, a queda da subutilização é mais um sinal de aquecimento do mercado de trabalho brasileiro, que tem absorvido maior parte da força de trabalho disponível.

Segundo o analista, esse cenário pode gerar impactos diretos nas relações de trabalho, com possível pressão por melhores condições e salários diante da redução da oferta de mão de obra.

“Se a mão de obra fica mais escassa, as condições de trabalho e a qualidade das ofertas tendem a melhorar”, avaliou.

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