Reincidência na inadimplência dispara e atinge 85,41% dos consumidores brasileiros em maio

Levantamento da CNDL e SPC Brasil mostra que maioria dos negativados já possuía dívidas em aberto; juros altos e custo de vida pressionam orçamento das famílias

A inadimplência segue pressionando o orçamento das famílias brasileiras e revela um cenário cada vez mais preocupante. Dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil apontam que 85,41% dos consumidores negativados em maio de 2026 já haviam enfrentado restrições de crédito nos últimos 12 meses, evidenciando um forte ciclo de reincidência financeira.

Segundo o levantamento, dentro do universo de devedores reincidentes, 65,92% sequer conseguiram quitar débitos antigos antes de voltarem a ser negativados. Outros 19,49% chegaram a limpar o nome, mas acabaram retornando ao cadastro de inadimplentes em menos de um ano.

A pesquisa também mostra que apenas 14,59% dos consumidores negativados em maio não tinham registrado restrições no CPF ao longo dos últimos 12 meses, o que reforça a predominância da reincidência entre os inadimplentes.

Outro dado que acende o alerta é o curto intervalo entre uma dívida e outra. Em média, o tempo entre o vencimento de uma dívida negativada e o surgimento de uma nova pendência foi de 72,6 dias, ou cerca de 2,4 meses.

Na comparação anual, o número de consumidores reincidentes cresceu 15,19% nos 12 meses encerrados em maio de 2026, em relação ao período anterior.

De acordo com o presidente da CNDL, José César da Costa, a combinação entre juros elevados, custo de vida alto e renda comprometida tem dificultado a recuperação financeira das famílias.

A faixa etária mais afetada pela reincidência continua sendo a de 30 a 39 anos, que representa 25,46% do total de devedores reincidentes. Em relação ao gênero, os dados mostram equilíbrio: 53,33% são mulheres e 46,67% homens.

Além do avanço da inadimplência, a recuperação de crédito também apresentou piora. O indicador que mede o número de consumidores que conseguiram sair da lista de inadimplentes registrou queda de 0,33% nos 12 meses encerrados em maio de 2026.

A maior retração foi observada entre consumidores que levaram de quatro a cinco anos para quitar totalmente suas dívidas, com queda de 10,50% na recuperação.

Entre os brasileiros que conseguiram limpar o nome, a faixa etária com maior participação foi a de 50 a 64 anos, representando 22,30% do total. Em relação ao sexo, 51,46% eram mulheres e 48,54% homens.

Os dados ainda mostram que, em maio, cada consumidor que conseguiu regularizar sua situação financeira pagou, em média, R$ 2.339,86 em débitos acumulados. Apesar disso, a maioria — 61,57% — quitou dívidas de até R$ 500.

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, o principal desafio atualmente não está apenas em sair da inadimplência, mas em conseguir manter estabilidade financeira após a regularização.

Com cerca de 44,69% da população adulta brasileira inadimplente, o cenário reforça os desafios enfrentados por consumidores, comércio e setor de serviços em meio a uma economia marcada por juros elevados e poder de compra reduzido.

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