PIB brasileiro cresce 2,2% em 2025 e perde ritmo no fim do ano

Prévia da FGV indica desaceleração da atividade econômica nos últimos meses, apesar do quinto ano consecutivo de crescimento.

A economia brasileira registrou crescimento de 2,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo estimativa do Monitor do PIB, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). O levantamento reúne dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária e funciona como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão, embora com desaceleração ao longo do período. Em 2024, o avanço havia sido maior, de 3,4%. No fim de 2025, a atividade perdeu força: o PIB ficou estável em dezembro em relação a novembro e também não apresentou variação no quarto trimestre na comparação com o terceiro.

Desempenho por setores

O consumo das famílias cresceu 1,5% no ano. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção, avançou 3,6%.

No setor externo, as exportações aumentaram 6,2%, enquanto as importações tiveram alta de 5,1%. A taxa de investimento da economia atingiu 17,1% do PIB, o maior nível dos últimos três anos.

Valores recordes

Em termos nominais, o PIB brasileiro alcançou R$ 12,63 trilhões em 2025, o maior valor da série histórica. O PIB per capita também bateu recorde, chegando a R$ 59.182.

Impacto dos juros

De acordo com a coordenação do estudo, o enfraquecimento do crescimento ao longo do ano está relacionado ao ambiente de juros elevados. A taxa básica de juros (Selic) subiu de 10,5% ao ano em setembro de 2024 para 15% em junho de 2025, permanecendo nesse patamar.

O aperto monetário encarece o crédito, reduz o consumo e desestimula investimentos, contribuindo para a desaceleração da atividade. A medida foi adotada em resposta à inflação, que permaneceu por meses acima do intervalo de tolerância da meta oficial.

Apesar do cenário restritivo, o país encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego já registrada, segundo dados oficiais.

Comércio exterior e tarifas

Outro fator que afetou o desempenho econômico foi a imposição de tarifas adicionais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros a partir de agosto de 2025, reduzindo as vendas ao mercado americano. Estimativas do governo indicaram que cerca de 22% das exportações ao país foram impactadas pelas sobretaxas.

Indicadores e resultado oficial

O Monitor do PIB é um dos principais termômetros da atividade econômica. Outro indicador, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apontou expansão de 2,5% no ano.

O resultado oficial do PIB de 2025 será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de março.

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