Nova lei institui semana de combate a deepfakes e pornografia não consensual em MT

Nova lei institui campanha anual para alertar sobre deepfakes e pornografia não consensual no ambiente digital.

A tipificação de novos abusos no ambiente digital, a salvaguarda da dignidade íntima e o letramento tecnológico para o enfrentamento de manipulações por Inteligência Artificial (IA) pautaram a atualização legislativa no estado. Entrou em vigor a Lei nº 13.354/2026, que institui de forma permanente a Semana Estadual de Conscientização sobre Deepfakes e Combate à Pornografia Não Consensual no Ambiente Virtual em Mato Grosso.

O evento integrará o calendário oficial do estado e será coordenado anualmente durante a segunda semana do mês de maio.

Lei nº 13.354/2026 ataca o uso malicioso de IA para difamação e chantagem

O marco regulatório surge como uma resposta institucional ao crescimento vertiginoso de softwares de IA generativa, que permitem a clonagem de voz e a inserção hiper-realista de rostos em vídeos e fotos de teor pornográfico. A legislação busca mitigar o impacto desse ecossistema de desinformação e violência, mapeando os canais de distribuição e fornecendo ferramentas de proteção jurídica imediata para as vítimas.

O foco central da política pública é preventivo e educativo, estruturando redes de apoio tático para orientar o cidadão comum sobre como auditar mídias suspeitas, preservar provas de crimes cibernéticos (como a geração de atas notariais em blockchain) e acionar as delegacias especializadas.

Campanhas em escolas e universidades miram proteção de mulheres e jovens

O plano de ação desenhado pela nova normativa estabelece que as instituições de ensino superior e a rede de escolas de ensino médio concentrem os principais esforços de conscientização. Relatórios da Polícia Civil apontam que o público feminino, compreendendo adolescentes e jovens adultas, figura como o alvo principal de consórcios criminosos que utilizam a manipulação digital para a prática de extorsão (sextorsão) e difamação sistemática em aplicativos de mensagens.

A engenharia pedagógica e de acolhimento prevista na lei ficou dividida em quatro eixos prioritários:

  • Orientação Escolar: Debates abertos em salas de aula sobre pegada digital, superexposição e os limites éticos do uso de ferramentas de IA;
  • Capacitação Técnica: Treinamento de professores, psicólogos escolares e policiais civis para a identificação precoce de casos de assédio e isolamento social decorrentes de vazamentos virtuais;
  • Campanhas de Massa: Difusão de peças publicitárias em canais institucionais detalhando que a criação e o compartilhamento de deepfakes sem autorização configuram ilícitos penais;
  • Suporte Jurídico e Psicológico: Criação de fluxos de atendimento prioritário em órgãos de assistência social e Defensoria Pública para o acolhimento de vítimas em estado de vulnerabilidade emocional.

O detalhamento dos danos psicossociais provocados por essa modalidade de crime e as estratégias de resposta integrada do Estado ficaram consolidados na seguinte matriz técnica:

Impacto Clínico e Social na Vítima Articulação da Rede de Enfrentamento Mecanismo de Resposta e Denúncia em MT
Danos Psicológicos Severos Parceria entre Secretaria de Saúde (SES) e ONGs de acolhimento. Oferta de terapia clínica emergencial para conter quadros de ansiedade crônica e depressão.
Isolamento e Evasão Escolar Intervenção direta das equipes psicopedagógicas da Seduc-MT. Aplicação de planos de acolhimento escolar para garantir a continuidade dos estudos sem constrangimento.
Extorsão e Chantagem (Sextorsão) Atuação unificada entre o Ministério Público e a Delegacia de Crimes de Alta Tecnologia. Quebra de sigilo ip e rastreamento de carteiras digitais usadas por criminosos para receber valores.

Rede de repressão ganha reforço com delegacias especializadas em cibercrimes

A nova lei prevê a união de forças entre o poder público e provedores de internet para acelerar a remoção de conteúdos ilícitos do ar. O texto defende que a internet não pode ser tolerada como um espaço de impunidade, reforçando a importância do registro imediato da ocorrência por meio do Disque 181 ou diretamente nas plataformas de denúncia da Polícia Civil.

Durante a execução da Semana Estadual, as delegacias regionais promoverão mutirões informativos para demonstrar o passo a passo técnico de como denunciar perfis fakes e coletar metadados que auxiliem na identificação dos autores dos disparos em massa. O engajamento das secretarias estaduais passará a regular a dotação de verbas e a distribuição de cartilhas digitais para o combate preventivo desse crime em Mato Grosso.

Reportagem baseada no texto consolidado da Lei Estadual nº 13.354/2026, relatórios de cibercrimes da Polícia Civil de MT e manuais de direito digital contra a pornografia não consensual.

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